Divulgação/Ambipar

A Ambipar Participações e Empreendimentos SA, empresa paulista de gestão de resíduos e serviços ambientais, deve protocolar um pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio de Janeiro na próxima semana. A decisão, segundo fontes próximas ao caso, ocorre após a companhia ter obtido proteção emergencial contra credores no fim de setembro, medida que visava conter o risco de inadimplência cruzada e garantir a continuidade de suas operações.

A movimentação reflete o agravamento da crise financeira da Ambipar, cujos títulos em dólar despencaram nas últimas semanas diante de preocupações com governança, saída de executivos e alertas de rebaixamento de crédito. A situação acendeu um sinal de alerta no mercado de capitais, sobretudo entre investidores expostos a Certificados de Operações Estruturadas (COEs) lastreados em dívidas da empresa.

O caso ocorre em meio a uma onda de instabilidade que atinge grandes companhias brasileiras — como a Braskem SA e o Banco Master — e levanta dúvidas sobre a transparência e a solidez dos produtos estruturados de crédito, vendidos como investimentos de baixo risco a clientes de varejo.

Apesar da turbulência, as ações da Ambipar reagiram positivamente no pregão de quarta-feira (8), com alta de 8,45%, cotadas a R$ 0,77, após abrirem em queda. O movimento, porém, foi marcado por forte volatilidade e reflete mais uma especulação de curto prazo do que uma recuperação concreta.

COEs expõem vulnerabilidade dos investidores

Os COEs, que ganharam popularidade nos últimos anos ao prometer combinar o melhor da renda fixa e da variável, mostraram sua face mais arriscada com o caso Ambipar. Muitos investidores acreditavam estar aplicando em produtos de “capital protegido”, mas descobriram, tardiamente, que se tratava de aplicações com risco total de perda do valor investido.

No caso da Ambipar, nem foi necessário um calote para os papéis desabarem: bastou o início das tratativas de recuperação judicial para que os títulos de dívida da empresa, negociados no mercado secundário, passassem a valer apenas 13% do valor de face. Como os COEs replicam o comportamento desses ativos, investidores amargaram prejuízos de até 93%.

Segundo a B3, o mercado de COEs movimentou R$ 90 bilhões em 2024, com mais de mil operações diárias. Desse total, 15% estavam vinculados a crédito corporativo — exatamente o segmento mais afetado pela crise da Ambipar e da Braskem.

Especialistas afirmam que o episódio deve acelerar o debate sobre regulação e transparência no setor de investimentos estruturados, especialmente diante do crescente apetite de investidores pessoa física por produtos complexos e de difícil compreensão.

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