Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na noite de segunda-feira (20) a nomeação do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) para o cargo de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Boulos substitui Márcio Macêdo, que ocupava a função desde o início do governo, em janeiro de 2023. A troca foi oficializada na edição do Diário Oficial da União desta terça (21).

A Secretaria-Geral é responsável pelo diálogo e interlocução entre o governo federal, organizações da sociedade civil e movimentos sociais. Na reunião em que recebeu o convite, Boulos estava acompanhado de Márcio Macêdo, da ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e dos ministros Rui Costa (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social).

Aos 43 anos, o novo ministro traz uma trajetória marcada pelo ativismo urbano e pela luta por moradia digna. Nascido em São Paulo, em 19 de junho de 1982, Boulos é filho de médicos infectologistas e teve formação acadêmica em filosofia pela USP, psicologia clínica pela PUC e mestrado em psiquiatria pela USP. Apesar de ter estudado em escolas particulares, pediu transferência para o ensino público na adolescência, ingressando no movimento estudantil aos 15 anos.

Sua atuação política ganhou projeção nacional aos 19 anos, quando passou a viver em uma ocupação do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), tornando-se posteriormente uma de suas principais lideranças. Foi candidato à Presidência da República em 2018, aos 35 anos, e disputou por duas vezes a Prefeitura de São Paulo, em 2020 e 2024.

Apesar da nomeação ministerial, o PSOL não descarta a candidatura de Boulos nas eleições de 2026. A presidenta do partido, Paula Coradi, afirmou que a prioridade é o Senado Federal, onde cada estado elegerá dois representantes. “Avaliamos que pela liderança política que exerce, Boulos seria um excelente nome para a disputa eleitoral do ano que vem, em especial para o Senado”, declarou em entrevista à Carta Capital.

Para viabilizar qualquer candidatura em 2026, Boulos terá de deixar o ministério até abril, o que exigiria nova troca na Secretaria-Geral em menos de seis meses. O deputado, porém, estaria compromissado com Lula a não fazê-lo.

O PSOL também aposta no crescimento eleitoral da deputada federal Erika Hilton (SP) para a Câmara e projeta a ascensão dos deputados estaduais paulistas Guilherme Cortez e Marina Helou, esta última filiada à Rede, sigla que compõe federação com o PSOL.

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