O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusou nesta quinta-feira (23), o governo de Donald Trump de cometer “execuções extrajudiciais” em ataques militares realizados no Caribe e no Pacífico desde agosto. Durante coletiva de imprensa em Bogotá, Petro afirmou que os supostos traficantes de drogas deveriam ser levados à Justiça, não assassinados.

“Nesse tipo de manobras, que acreditamos violar o direito internacional, os EUA estão cometendo execuções extrajudiciais. Há um uso desproporcional da força que é punido pelo direito internacional humanitário”, declarou o líder colombiano.

Tensão bilateral

Desde 2 de setembro, Washington ataca embarcações que supostamente transportam drogas em águas internacionais, publicando vídeos dos destroços em chamas. Os últimos bombardeios ocorreram na quarta-feira (22), os primeiros no Oceano Pacífico. Até o momento, o governo americano contabilizou nove ataques, que deixaram 37 mortos.

A Colômbia denuncia que os EUA violaram águas nacionais e que um pescador colombiano foi morto durante uma dessas operações. “O mar do Caribe está repleto de navios de guerra, aeronaves navais e mísseis. Inclusive, um pescador de Santa Marta foi assassinado em seu barco”, afirmou Petro.

A tensão entre os presidentes aumentou após Petro começar a criticar Trump nas redes sociais. Os EUA retiraram a Colômbia da lista de países aliados na luta antidrogas e revogaram o visto de Petro e funcionários. Trump acusou o colombiano de ser “líder narcotraficante” e “meliante”. “O senhor Trump me caluniou e insultou a Colômbia”, respondeu Petro.

Na quarta-feira (22), grupo independente de especialistas da ONU também criticou os bombardeios americanos. Nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos, o grupo afirmou que os ataques violam o direito internacional do mar e equivalem a execuções extrajudiciais, mesmo considerando a justificativa de combate ao narcotráfico.

“Esses movimentos são uma escalada extremamente perigosa com graves implicações para a paz e a segurança na região do Caribe”, declararam os especialistas em comunicado, alertando que ação militar contra Estado soberano constituiria “violação ainda mais grave” da Carta da ONU.

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