
A atriz e escritora Fernanda Torres abriu o jogo sobre sua complexa relação com o dinheiro e o consumo durante um encontro com jornalistas e convidados de um banco que a patrocina. De acordo com a artista, seu crescimento pessoal foi marcado pela dificuldade em aceitar a dinâmica da economia global, tendo demorado a entender que “um país que não contrai dívidas não tem futuro”, por ter sido criada ouvindo sobre a crise da dívida externa brasileira.
Apesar de compreender a lógica do endividamento em escala nacional e global, Torres revelou que, em suas finanças pessoais, o medo da instabilidade da infância ainda prevalece: “Mas, de modo particular, continuo não gostando [de contrair dívidas].”
Na conversa, a atriz, conhecida por sua franqueza, brincou sobre sua dificuldade com a tecnologia bancária, admitindo contar com uma estrutura profissional para a gestão de seu patrimônio. “Olha, confesso que uso muito pouco a tecnologia. Eu tenho um ‘escritório de rico’ que me ajuda”, disse, provocando risos na plateia.
Fernanda Torres fez questão de frisar que não é consumista, atribuindo essa postura à própria realidade do Rio de Janeiro, cidade onde reside. Para ela, a desigualdade social na capital fluminense torna a ostentação um ato deslocado.
“Moro no Rio de Janeiro, que é uma cidade falida. Pega mal você ostentar. Sempre digo que você vai sair na rua e encontrar um cara de sunga, pochete e tornozeleira eletrônica e ele vai estar melhor vestido que você”, ironizou. A atriz mencionou que precisou “dar uma repaginada no guarda-roupa” apenas por conta de compromissos internacionais ligados ao Oscar, mas que o consumo de luxo é evitado no dia a dia.
Torres finalizou criticando o foco do crescimento nacional em bens de consumo duráveis — como geladeira e televisão —, que considera obsoletos em poucos anos. Para ela, seria mais benéfico focar em crescimento que se manifeste em educação e infraestrutura. “Moro numa cidade em que medir sua vida pelo sapato que usa não faz sentido”, concluiu, sugerindo, em tom de brincadeira, que na praia, o valor inestimável é ter um “abdômen”.