Tânia Rego/Agência Brasil

Os aumentos anuais do salário mínimo acima da inflação têm impulsionado a renda do conjunto do mercado de trabalho brasileiro, especialmente em setores como serviços e comércio. O efeito do piso salarial mais forte ajuda a explicar o aumento médio recorde de 4% no rendimento real dos trabalhadores entre janeiro e setembro deste ano, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada na sexta-feira (31) pelo IBGE.

Na comparação com o trimestre de julho a setembro do ano anterior, cinco categorias tiveram aumentos salariais expressivos. O destaque foi para agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com alta de 6,5% (R$ 134 a mais em média), seguido por serviços domésticos, com 6,2% (mais R$ 79), e construção, com 5,5% (R$ 145 adicionais).

“O aumento do salário mínimo tem impacto direto sobre o rendimento médio real, especialmente nos setores formais do comércio e dos serviços, onde muitos trabalhadores recebem valores próximos ao piso”, explica Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas do IBGE. Segundo ela, o reajuste eleva essas remunerações e produz “efeito extravasamento” sobre faixas salariais ligeiramente superiores.

Desde 2023, a Política de Valorização do Salário Mínimo foi retomada, prevendo reajuste anual pela soma da inflação do ano anterior e a variação positiva do PIB de dois anos antes. Em 2025, o salário mínimo foi fixado em R$ 1.518, representando aumento real de 2,61%. Para 2026, o valor projetado é de R$ 1.630.

O crescimento do emprego formal amplifica esse efeito. Cerca de 59,9 milhões de pessoas têm rendimento referenciado no salário mínimo. O reajuste de 2025 deve gerar incremento de R$ 81,5 bilhões na economia e R$ 43,9 bilhões em arrecadação tributária, superando o custo adicional de R$ 38,9 bilhões com benefícios previdenciários.

Veja também