
A paralisação do governo federal dos Estados Unidos, iniciada em 1º de outubro, tornou-se a mais longa da história do país. O impasse envolve o governo de Donald Trump e o Congresso, formado pela Câmara dos Representantes e pelo Senado, em torno da aprovação do orçamento de 2026.
A Casa Branca pressiona pela inclusão de cortes em programas sociais e maior destinação de recursos para segurança de fronteiras e defesa, enquanto a maioria democrata no Senado defende a recomposição integral dos gastos públicos e a preservação de políticas de assistência.
Segundo o Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, cada semana de paralisação causa uma perda estimada de US$ 15 bilhões para a economia norte-americana. O bloqueio já afeta cerca de 1,9 milhão de servidores federais, incluindo 670 mil afastados sem remuneração (furlough) e mais de 700 mil trabalhando sem receber. O impacto atinge órgãos como a Administração de Aviação Federal, o Serviço de Parques Nacionais e centros de pesquisa científica.
Entre as áreas mais prejudicadas estão o transporte aéreo e o turismo. A ausência de parte dos controladores de tráfego aéreo e o acúmulo de turnos entre os que permanecem em atividade provocam atrasos e cancelamentos de voos em grandes aeroportos. A suspensão de operações em parques e museus nacionais reduziu o fluxo de visitantes e afetou economias locais que dependem do turismo interno.
42 milhões sem auxílio
Outro impacto direto é a interrupção parcial do programa de assistência alimentar conhecido como SNAP (Programa de Assistência Nutricional Suplementar), que atende 42 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade. A suspensão levou milhares de famílias e servidores públicos a recorrerem a bancos de alimentos e instituições de caridade em diferentes estados.
Cerca de seis em cada dez norte-americanos afirmam que o presidente Donald Trump e os republicanos no Congresso têm muita ou bastante responsabilidade pela paralisação do governo. Outros 54% fazem a mesma avaliação em relação aos democratas, segundo pesquisa do Centro de Pesquisa de Assuntos Públicos da Associated Press-NORC. O descontentamento também cresce entre servidores e trabalhadores terceirizados do setor público, que acumulam atrasos salariais e insegurança financeira.
Tribunais federais determinaram o uso de fundos emergenciais para manter parte dos pagamentos do SNAP, mas sem acordo político à vista, a paralisação segue indefinida. Economistas alertam para o risco de retração no consumo, aumento da insegurança alimentar, prejuízos ao turismo e atraso na divulgação de dados econômicos essenciais, o que amplia a instabilidade em um ano pré-eleitoral.