
O papa Leão XIV fez críticas explícitas às políticas do governo dos Estados Unidos sob Donald Trump, especialmente no tratamento de imigrantes e nas ações militares próximas à Venezuela. Em entrevista concedida em 4 de novembro de 2025, em Castel Gandolfo, o pontífice pediu uma “reflexão profunda” sobre a forma como migrantes são tratados no país, citando as deportações em massa e a negligência das necessidades espirituais de pessoas detidas.
Críticas à política migratória
Leão XIV, primeiro papa nascido nos Estados Unidos, mencionou o órgão responsável pelo controle migratório — o Immigration and Customs Enforcement (ICE), equivalente ao Departamento de Imigração e Alfândega — ao afirmar que “muitas pessoas que viveram anos e anos, sem nunca causar problemas, foram profundamente afetadas” pelas medidas de deportação.
O papa também chamou atenção para centros de detenção em que imigrantes estariam sendo impedidos de receber a comunhão, afirmando que “os direitos espirituais das pessoas que foram detidas devem também ser considerados”.
Alerta sobre a Venezuela e reações
Além das questões migratórias, o papa abordou a atuação dos Estados Unidos em operações navais próximas à Venezuela. Ele afirmou que “com violência não venceremos” e que o envio de navios da Marinha americana para a região aumenta a tensão em vez de promover a paz.
As declarações provocaram reação da Casa Branca, cujo porta-voz afirmou que as políticas de imigração “estão em conformidade com a lei” e rejeitou acusações de tratamento inumano. Dentro da Igreja Católica, bispos norte-americanos próximos à administração Trump também manifestaram desconforto, questionando o alinhamento entre valores pró-vida e o apoio a políticas migratórias rígidas.
O pontificado de Leão XIV, iniciado em maio de 2025, vem consolidando a continuidade das posições de seu antecessor em temas sociais e geopolíticos. Ao mesmo tempo, o papa tem adotado um tom mais direto ao tratar de política internacional, distanciando-se de um perfil exclusivamente pastoral.