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A Meta, controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp, lucrou cerca de US$ 16 bilhões (R$ 85 bilhões) em 2024 com a veiculação de anúncios fraudulentos, que promovem golpes e produtos proibidos. A cifra chocante, baseada em projeções internas da própria empresa obtidas pela agência de notícias Reuters, revela que 10% de toda a sua receita anual foi obtida através desse tipo de publicidade.

Os documentos internos, produzidos a partir de 2021, indicam que a Meta não conseguiu ou optou por não interromper campanhas que expuseram bilhões de usuários a esquemas de falso investimento, comércio eletrônico fraudulento e cassinos ilegais. Um dossiê de dezembro de 2024 aponta que os usuários são expostos a cerca de 15 bilhões de anúncios de “alto risco” diariamente, gerando US$ 7 bilhões anuais para a empresa.

Os documentos mostram que, mesmo com os sistemas internos da Meta sinalizando a suspeita de fraude, a empresa só bane anunciantes se houver 95% de certeza de que há violação. Se o índice é menor, a Meta adota a prática de cobrar valores mais altos para veicular as campanhas.

A situação coloca a Meta sob intensa pressão regulatória global. Nos EUA, a empresa é investigada pela Comissão de Valores Mobiliários (SEC) por veicular golpes financeiros. No Reino Unido, um órgão regulador constatou que produtos da Meta estiveram envolvidos em 54% de todas as perdas financeiras relacionadas a golpes em 2023.

Internamente, a empresa reconheceu que alguns concorrentes, como o Google, estão fazendo um trabalho melhor em eliminar fraudes, e que multas regulatórias são certas, estimando penalidades de até US$ 1 bilhão. No entanto, esse valor é muito inferior aos US$ 7 bilhões anuais obtidos com a parcela de anúncios de “maior risco legal”.

A Meta, por meio de seu porta-voz Andy Stone, contestou a porcentagem de 10%, alegando que a estimativa era “excessivamente abrangente” e incluía anúncios legítimos. Stone defendeu os esforços da empresa, citando uma redução de 58% nos relatos de usuários sobre anúncios fraudulentos nos últimos 18 meses. Apesar da defesa, os documentos sugerem que reduções abruptas na receita fraudulenta poderiam afetar as projeções de negócios da empresa.

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