Bruno Peres/Agência Brasil

A China voltou a cobrar que as nações desenvolvidas assumam a liderança no financiamento das políticas globais contra as mudanças climáticas, adiando um possível aporte ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa central do Brasil na COP30, em Belém (PA). O governo chinês reiterou o princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, estabelecido na Rio-92, segundo o qual os países ricos devem arcar com a maior parte dos custos da transição ecológica, por terem se beneficiado historicamente da queima de combustíveis fósseis. A informação foi divulgada pela Folha de São Paulo.

Durante a conferência, o vice-primeiro-ministro Ding Xuexiang reforçou o posicionamento de Pequim. “Os países desenvolvidos devem assumir a liderança no cumprimento das obrigações de redução de emissões e honrar seus compromissos financeiros”. Apesar de não anunciar contribuição ao TFFF, a China manifestou apoio político à proposta brasileira, considerada pelo Itamaraty como um dos principais legados diplomáticos da COP30.

O fundo, que já conta com cerca de US$ 5,5 bilhões anunciados por Brasil, Noruega, Indonésia e França, pretende atingir US$ 125 bilhões combinando recursos públicos, privados e filantrópicos. O mecanismo prevê pagamentos de US$ 4 por hectare conservado e destina parte dos lucros a países com florestas tropicais preservadas.

A resistência chinesa repete o comportamento adotado em relação ao Fundo Verde para o Clima, da ONU, do qual o país também não participa financeiramente. Mesmo assim, integrantes do governo brasileiro mantêm otimismo, apostando em um futuro aporte de Pequim, considerado essencial para ampliar o alcance e a legitimidade do TFFF.

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