Vivian Abagiu/Universidade do Texas

Uma revolução médica com assinatura brasileira está em curso. A química Lívia Schiavinato Eberlin, professora da Baylor College of Medicine (EUA), desenvolveu a MasSpec Pen, uma caneta capaz de identificar se um tecido é saudável ou cancerígeno em apenas 10 segundos, durante a cirurgia. O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, conduz o primeiro estudo clínico fora dos Estados Unidos, em parceria com a Thermo Fisher Scientific, fabricante do espectrômetro de massas que analisa as amostras.

O dispositivo funciona de forma simples e precisa. O cirurgião encosta a caneta sobre o tecido suspeito, liberando uma microgota de água que extrai moléculas da superfície. Em seguida, o espectrômetro de massas analisa a composição química e indica se o material é tumoral ou saudável. A informação é crucial para definir os limites exatos da cirurgia oncológica.

O estudo brasileiro, com duração de 24 meses, acompanha 60 pacientes com câncer de pulmão e de tireoide. A tecnologia já mostrou acurácia superior a 92% em testes anteriores publicados na JAMA Surgery, evitando a remoção acidental de tecidos saudáveis.

Além do diagnóstico instantâneo, os pesquisadores investigam se a MasSpec Pen pode também identificar o perfil imunológico dos tumores, permitindo prever a resposta a tratamentos como imunoterapia.

Natural de Campinas e doutora pela Purdue University, Eberlin lidera uma equipe nos EUA e comanda a startup MS Pen Technologies. O próximo passo será a aprovação da tecnologia pela FDA e, futuramente, pela Anvisa. “Trazer essa inovação ao Brasil é um sonho realizado”, disse a pesquisadora ao G1. “É a prova de que a ciência brasileira tem alcance global.”

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