
A Polícia Federal identificou movimentações financeiras que somam mais de R$ 11 milhões em um esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos em Sorocaba (SP), envolvendo o prefeito afastado Rodrigo Manga (Republicanos), familiares e aliados. O relatório da Operação Cópia e Cola, obtido por diferentes veículos de imprensa, aponta o prefeito como líder da organização criminosa e principal beneficiário do esquema.
Segundo a PF, as fraudes foram viabilizadas por meio de contratos fictícios de publicidade firmados pela empresa 2M Comunicação e Assessoria, de propriedade da primeira-dama Sirlange Rodrigues Frate. A investigação mostra que a empresa recebia valores da Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus, entidade ligada ao grupo político do prefeito, em transações que simulavam prestação de serviços.
Entre 2021 e 2025, os investigadores rastrearam 3.437 depósitos em dinheiro vivo distribuídos em contas de três principais envolvidos: o cunhado de Manga, Josivaldo Batista de Souza, recebeu 2.221 depósitos, totalizando R$ 2,9 milhões; o empresário Marco Silva Mott, apontado como operador do grupo, movimentou R$ 6,5 milhões. Parte dos recursos foi transferida para a igreja e, em seguida, para a empresa da primeira-dama, reproduzindo um padrão repetido em várias datas.
Verbas Públicas de Sorocaba
De acordo com as reportagens, a PF também identificou aquisição de imóveis pagos parcialmente em espécie, compatível com indícios de lavagem de dinheiro. A CNN Brasil destacou que os investigadores encontraram mensagens trocadas entre Manga e um líder religioso, em que o interlocutor pergunta se o prefeito “precisava de um milagre”, em referência a supostos repasses financeiros.
O relatório obtido pelo G1 detalha o uso de depósitos fracionados — pequenas quantias em dinheiro vivo — para burlar mecanismos de controle bancário e dar aparência legal às movimentações. A PF afirma que a origem dos valores é ilícita e possivelmente vinculada a verbas públicas da saúde municipal.
A operação, deflagrada em duas fases ao longo de 2025, resultou na prisão de dois suspeitos e no afastamento de Manga por 180 dias. Também houve bloqueio de bens e apreensão de documentos relacionados a contratos da prefeitura e entidades religiosas. A PF apura se o esquema foi replicado em outras cidades do interior paulista.
A defesa do prefeito afastado nega as acusações e afirma que todos os contratos e valores movimentados são legais e devidamente declarados à Justiça Eleitoral.