ONU
Sergio Moraes/COP30

A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de uma carta enviada pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), cobrou do governo brasileiro uma resposta urgente a “brechas graves” identificadas no esquema de segurança e nas condições estruturais da COP30, em Belém (PA). O documento foi encaminhado a Rui Costa, ministro da Casa Civil, e a André Corrêa do Lago, presidente da conferência.

O pedido surgiu após o incidente ocorrido na noite de terça-feira (11), quando cerca de 150 ativistas entraram na “blue zone”, área restrita da conferência, causando ferimentos leves em dois seguranças e danos à estrutura. A ONU afirmou que o efetivo policial presente não conseguiu conter a invasão e apontou vulnerabilidades como portas sem monitoramento, efetivo abaixo do necessário e falta de resposta rápida das forças de segurança federais e estaduais.

Além disso, o documento menciona problemas de infraestrutura registrados em dias anteriores, como temperatura elevada em pavilhões, falhas de climatização, infiltrações provocadas por chuvas e risco elétrico decorrente de água próxima a instalações. Delegações relataram preocupação com as condições de trabalho nos espaços disponibilizados, como escritórios e salas de reunião.

Resposta do governo federal

Em nota enviada ao G1, a Casa Civil afirmou que “todas as solicitações da ONU têm sido atendidas”. O órgão ressaltou que a segurança interna da área azul é de responsabilidade do Departamento das Nações Unidas para Segurança e Proteção (UNDSS) e informou que não participou das decisões operacionais referentes ao incidente.

Segundo a Casa Civil, representantes das esferas federal e estadual se reuniram com o UNDSS no dia 12 para reavaliar os recursos policiais empregados nos perímetros da conferência. O governo também informou que reforçou barreiras físicas, ampliou o espaço intermediário entre as zonas Azul e Verde, e intensificou a presença conjunta da Força Nacional e da Polícia Federal.

No campo da infraestrutura, foram instaladas novas unidades de ar-condicionado, enviados equipamentos adicionais para salas com falhas de climatização e reparadas calhas que provocaram goteiras em espaços como o Media Center. A Casa Civil afirmou ainda que todas as questões operacionais vêm sendo tratadas diariamente com a UNFCCC, garantindo correções contínuas ao longo do evento.

Preparação e desafios logísticos

A COP30 ocorre em meio a desafios estruturais em Belém. Relatórios de imprensa internacional destacaram que obras de mobilidade e infraestrutura estavam em execução às vésperas do evento, e que a pressão sobre a rede hoteleira levou a um aumento de preços e escassez de hospedagem para delegações, especialmente de países mais pobres. Esses problemas se somam às dificuldades de adaptação da cidade para receber um evento de grande porte.

Impacto nas negociações e credibilidade do evento

O alerta da ONU aumenta a pressão para que o Brasil assegure a integridade do evento, que reúne dezenas de milhares de participantes para avançar em temas centrais da agenda climática global. Falhas de segurança e infraestrutura podem afetar a credibilidade da conferência e gerar impactos nas negociações sobre financiamento climático, adaptação e proteção de povos tradicionais. A expectativa é de que corrijam-se rapidamente as vulnerabilidades, evitando novos incidentes ao longo da programação.

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