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A terceira edição da ExpoCannabis Brasil, maior feira da América Latina dedicada à cannabis medicinal, começou nesta sexta-feira (14), em São Paulo, em um momento de expectativa do setor em relação ao cronograma de regulamentação do cultivo para fins medicinais no país. O evento reúne produtores, pesquisadores, empresas e representantes do governo, num ambiente que reflete a expansão da cadeia produtiva e a disputa política em torno do tema.

Crescimento do setor e números da feira

Os organizadores estimam receber cerca de 45 mil visitantes entre sexta e domingo. São 250 expositores de 280 marcas, aumento de quase 7% em relação à edição de 2024. A feira reúne empresas e instituições ligadas à saúde, medicamentos à base de canabinoides, cosméticos, veterinária, nutrição, tecnologia de cultivo, compliance, pesquisa científica e cânhamo industrial.

O espaço também foi ampliado para destacar o agronegócio, que passou a atuar mais diretamente na área de genética, insumos agrícolas, rastreabilidade e equipamentos. Pela primeira vez, a Embrapa participa com um estande dedicado ao HempTech Brasil, projeto da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria (INTA), da Argentina.

Presença do governo e debate legislativo

Entre os convidados está o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, que acompanha as discussões no Congresso sobre a regulamentação do cultivo de cannabis medicinal. O governo federal apoia a tramitação do projeto que autoriza o plantio para fins terapêuticos, ainda aguardando votação na Câmara dos Deputados.

A regulamentação, inicialmente prevista para setembro de 2025, foi adiada e só deve avançar a partir de março de 2026. O atraso ocorre em meio à resistência de parlamentares da direita e de setores que argumentam contra qualquer flexibilização envolvendo o cultivo da planta. Em contrapartida, associações de pacientes, produtores e especialistas defendem que a regulamentação permitirá reduzir custos, ampliar o acesso e fortalecer a pesquisa científica no país.

Expansão

Um levantamento citado pelo setor aponta que o cânhamo industrial, variedade da planta sem efeitos psicoativos, pode movimentar até R$ 4,9 bilhões por ano no Brasil, caso haja regulamentação clara para uso agrícola e industrial.

Na esfera internacional, estimativas da consultoria inglesa Prohibition Partners projetam que o mercado global de cannabis — incluindo os segmentos medicinal, farmacêutico e industrial — deve atingir US$ 100 bilhões até 2026. Países como Estados Unidos, Canadá, Israel e parte da União Europeia avançaram em políticas para cultivo, pesquisa, prescrição e indústria derivada.

Mercado diversificado

Além da vertente medicinal, a ExpoCannabis reúne projetos em setores que têm crescido paralelamente, como o uso veterinário, aplicações industriais do cânhamo (têxteis, materiais de construção e bioplásticos), biotecnologia, pesquisa clínica e tecnologias de cultivo de precisão. O encontro também promove debates sobre regulação sanitária, certificação de produtos e desafios logísticos.

A presença institucional da Embrapa e do INTA nesta edição reforça o movimento de aproximação entre ciência agrícola e o mercado emergente da cannabis medicinal, numa área que envolve desenvolvimento genético, sustentabilidade e potencial econômico em cadeia.

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