México
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A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou na última segunda-feira (17) que pretende submeter seu mandato ao mecanismo constitucional de revogação. A iniciativa ocorre após protestos de jovens da Geração Z na Cidade do México, que pediram respostas para a violência ligada a cartéis e criticaram a atuação das forças de segurança. As manifestações, realizadas no fim de semana, terminaram em confrontos com a polícia e deixaram centenas de feridos, segundo autoridades locais.

O mecanismo de revogação de mandato foi incorporado à Constituição em 2021, durante o governo de Andrés Manuel López Obrador. Sheinbaum afirmou que seguirá o procedimento “porque é isso que a Constituição estabelece” e declarou que não pretende “representar um fardo para o povo”. Pesquisas divulgadas por veículos internacionais, incluindo AP e Reuters, apontam índices de aprovação acima de 70% para a presidente.

Reação às declarações de Trump

Enquanto o governo mexicano discute a convocação da consulta, Sheinbaum também respondeu a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou estar disposto a enviar tropas ao México para combater cartéis do narcotráfico. Em coletiva nesta terça-feira (18), a mandatária rejeitou qualquer possibilidade de operação militar estrangeira no país.

Sheinbaum afirmou ter repetido ao governo norte-americano que o México aceita cooperação e troca de informações, mas não autoriza ações militares externas em seu território. Segundo ela, Trump já havia sugerido intervenções semelhantes em conversas anteriores, e a posição mexicana foi comunicada a representantes de Washington, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio, que esteve recentemente no país.

Pressões internas e bilaterais

A presidente disse que a relação bilateral deve se basear em “colaboração e coordenação sem subordinación”, e lembrou que o próprio governo dos Estados Unidos divulgou comunicado recente indicando que só atuaria militarmente no México se houvesse solicitação formal, algo que o governo mexicano descarta.

As declarações de Trump ocorrem em meio à pressão de grupos conservadores nos Estados Unidos por ações mais agressivas contra organizações criminosas que atuam nos dois países. Desde setembro, operações militares norte-americanas no Caribe e no Pacífico resultaram na destruição de embarcações e na morte de mais de 70 pessoas classificadas como “narcoterroristas”, segundo informações divulgadas pelo próprio Exército dos EUA.

Próximos passos

Até o momento, Sheinbaum não detalhou o calendário para a formalização da consulta de revogação. O Instituto Nacional Eleitoral (INE) também não se pronunciou sobre prazos ou procedimentos. O governo mexicano afirma que o tema está em avaliação interna.

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