
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu nesta terça-feira (18) às declarações do primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, que relatou desconforto de sua comitiva durante a estadia em Belém para a Cúpula de Líderes pré-COP30. Merz afirmou que ninguém de sua equipe teria desejado permanecer no Brasil, e que todos ficaram “contentes em voltar à Alemanha”.
Lula chamou a posição de Merz de equivocada e afirmou que o premiê deveria ter circulado mais pela cidade: “Ele devia ter ido num boteco no Pará, devia ter dançado e provado a culinária. Ia perceber que Berlim não oferece nem 10% da qualidade do Pará e de Belém”, disse durante a inauguração da ponte sobre o rio Araguaia, na divisa entre Tocantins e Pará.
Fala de Merz
A fala de Merz foi divulgada na segunda-feira (17) e gerou reação imediata entre representantes brasileiros. O comentário do premiê, de que ninguém da delegação alemã quis permanecer no Pará, ocorreu após sua participação na reunião preparatória da COP30, realizada nos dias 6 e 7 em Belém.
Após a repercussão, um porta-voz do governo alemão afirmou que Merz lamentou não ter tido tempo para conhecer a Amazônia e ressaltou a “beleza natural” do Brasil, sem comentar diretamente a declaração.
Autoridades alemãs tentam reduzir desgaste
A fala de Merz não foi acompanhada por outros membros do governo alemão. O ministro de Meio Ambiente da Alemanha, Carsten Schneider, publicou mensagem em português elogiando a recepção brasileira. “Brasil é um país maravilhoso, com um povo acolhedor e bom anfitrião”, declarou. Schneider disse ainda que gostaria de ter ficado mais tempo e mencionou planos de visitar a região amazônica.
Carsten Schneider integra o Partido Social-Democrata (SPD), legenda de centro-esquerda que compõe a coalizão do governo alemão. Já Friedrich Merz é o principal líder político da União Democrata-Cristã (CDU), partido conservador de centro-direita e maior força da oposição no país nos últimos anos, embora hoje participe do arranjo de governabilidade. As duas siglas têm posições distintas em temas ambientais, integração europeia e política externa, o que explica a diferença de tom entre as manifestações de Schneider, de caráter conciliador, e as críticas de Merz sobre sua estadia no Brasil durante a COP30.
Belém recebe apoio
Durante a plenária de alto nível da COP30 nesta terça-feira, Gilberto Fratin, ministro de Meio Ambiente e Segurança Energética da Itália, fez questão de iniciar sua intervenção elogiando a cidade-sede. Ele agradeceu “a extraordinária acolhida e hospitalidade da comunidade de Belém”, afirmando que a conferência foi conduzida com eficiência local e participação ativa da população. Outras delegações europeias seguiram a mesma linha, destacando a logística, a infraestrutura temporária e o papel da cidade na agenda climática.
O prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), também se manifestou sobre o episódio. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele classificou as declarações de Friedrich Merz como “infelizes, arrogantes e preconceituosas” e afirmou que o relato do premiê não corresponde à experiência da maior parte das delegações estrangeiras na cidade.
Normando destacou que representantes de diversos países elogiaram a recepção, a gastronomia e a paisagem cultural de Belém, e reforçou o papel da Amazônia no debate climático: “A Amazônia ajudou o mundo inteiro a respirar”, disse. O prefeito afirmou ainda que a região busca desenvolvimento com equilíbrio e sustentabilidade e encerrou a manifestação com tom conciliador: “Enquanto você vem com a sua arrogância, nós, paraenses, belenenses, amazônidas, vamos oferecer o nosso calor humano, o nosso acolhimento e o nosso amor”.
Lula destaca visibilidade do Pará após a COP
Lula afirmou ainda que o estado do Pará “saiu do anonimato” ao sediar a conferência das Nações Unidas. Segundo ele, a COP30 ampliou a presença do Pará no debate global sobre clima e desenvolvimento. “O mundo inteiro sabe hoje onde fica Belém, que tem desafios, mas também uma cultura forte e um povo que recebe bem”, disse.