
A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira (18), por 427 votos a 1, a abertura integral dos arquivos relacionados ao caso Jeffrey Epstein. A decisão encerra quase um ano de impasse e representa uma derrota política para o presidente Donald Trump, que se opunha à divulgação.
A resolução segue agora para o Senado, onde também deve ser aprovada, antes de ir para sanção presidencial. Entre os republicanos, 216 deputados votaram a favor da medida. O único voto contrário veio do republicano Clay Higgins, da Louisiana. Outros cinco parlamentares se abstiveram.
Epstein, empresário com ampla rede de contatos entre autoridades, políticos e celebridades, foi acusado de operar um esquema de exploração sexual de menores. Preso em julho de 2019, morreu um mês depois sob custódia federal, supostamente após cometer suicídio.
Mudança de posição de Trump x Resistência Republicana
Durante a campanha, Trump defendia a abertura dos documentos, afirmando que eles poderiam expor nomes ligados ao Partido Democrata. Após reassumir a Casa Branca, porém, passou a criticar a divulgação e pressionou congressistas de seu partido a votarem contra.
No domingo (16), diante da falta de apoio interno e após críticas de republicanos que defendiam transparência, o presidente mudou de posição. Em rede social, afirmou que os arquivos deveriam ser divulgados porque “não havia nada a esconder” e, posteriormente, disse que era hora de “seguir em frente”. A mudança foi interpretada como recuo político depois de Trump chamar de “fracos e tolos” os parlamentares republicanos que defendiam a liberação dos documentos.
Vítima brasileira diz que Trump tenta controlar narrativa
Marina Lacerda, 37, identificada nos documentos judiciais como “vítima menor número um”, afirmou à Folha de S.Paulo acreditar que Donald Trump tem mais envolvimento com o caso do que se sabe publicamente. Natural do Brasil e residente nos EUA desde a infância, ela foi abusada por Epstein aos 14 anos.
Para Lacerda, a mudança de posição do presidente é uma tentativa de influenciar o debate público sobre o caso. “Ele quer silenciar a gente, e o único jeito é estar do nosso lado”, disse. “Trump vê que estamos aparecendo cada vez mais aqui nos EUA e no Reino Unido. Só assim para nos dar menos voz.”
A brasileira também afirmou ter razões para acreditar que a relação entre Trump e Epstein não se limitava a e-mails ou encontros sociais, embora não tenha detalhado suas suspeitas. Segundo ela, as vítimas continuarão pressionando pela transparência completa: “Agora vamos ter que brigar mais”.
Arquivos podem esclarecer relação de Epstein com figuras públicas
Os documentos incluem registros das investigações do FBI, comunicações, nomes mencionados em depoimentos e materiais apreendidos em propriedades de Epstein. A divulgação é vista como etapa central para esclarecer o papel de pessoas que se relacionaram com ele, incluindo autoridades americanas e líderes estrangeiros.
A expectativa é que a liberação dos arquivos avance ainda neste ano, dependendo da votação no Senado e da sanção presidencial.