
A direção dos Correios aprovou um plano de reestruturação para tentar reverter a crise financeira que já dura 12 trimestres consecutivos. Segundo a estatal, o pacote foi aprovado na última quarta-feira (19) e prevê a conclusão, até o fim de novembro, de uma operação de crédito de R$ 20 bilhões com um consórcio de bancos. O objetivo é garantir liquidez e recompor o caixa após sucessivos prejuízos, que somaram R$ 4,5 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025 e mais de R$ 10 bilhões desde 2022.
O plano divulgado pela empresa reúne medidas de recuperação financeira, reorganização operacional e busca de novos mercados. A gestão pretende implementar, nos próximos 12 meses, ações como Programa de Demissão Voluntária (PDV), redução de despesas assistenciais, modernização da infraestrutura logística, monetização de ativos e venda de imóveis, uma operação com potencial estimado de R$ 1,5 bilhão.
A reestruturação da rede de atendimento prevê a revisão de agências deficitárias, podendo resultar no fechamento de até mil unidades, conforme antecipado pelo presidente da estatal, Emmanoel Rondon.
A empresa também avalia ampliar serviços vinculados ao comércio eletrônico e não descarta operações de fusões ou aquisições para recuperar competitividade no médio prazo. As diretrizes haviam sido apresentadas pela presidência no início de outubro e agora foram formalmente aprovadas pelos conselhos da estatal, sem detalhamento operacional no comunicado oficial.
A direção destaca que a universalização dos serviços postais continuará como diretriz central. A capilaridade da rede, responsável por entregas em todos os municípios, incluindo regiões remotas e operações como distribuição de livros didáticos, apoio eleitoral e logística humanitária, é citada como argumento para manter o caráter público da companhia mesmo com o pacote de ajustes.
A expectativa é reduzir o déficit já em 2026 e voltar ao lucro em 2027. Os principais riscos mapeados por analistas incluem a dependência da operação de crédito num ambiente de juros elevados, a execução da venda de ativos em mercado instável e a necessidade de modernização rápida diante da competição com operadores privados que expandem investimentos em logística nacional.