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A última rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, disputada no domingo (23), foi marcada por emoção, drama e viradas históricas. Quatro clubes garantiram o acesso à elite do futebol nacional em 2026, enquanto a zona de rebaixamento só foi definida nos minutos finais, deixando torcedores de todo o país em suspense até o apito final.

O Coritiba conquistou o tricampeonato da Segundona ao vencer o já rebaixado Amazonas por 2 a 1, em Manaus. O Coxa, que já havia garantido o acesso anteriormente, somou 68 pontos e levantou a taça pela terceira vez, repetindo os feitos de 2007 e 2010. O Athletico-PR ficou com o vice-campeonato após derrotar o América-MG por 1 a 0, com gol de João Cruz, encerrando a competição com 65 pontos e fazendo a festa da torcida na Arena da Baixada.

A Chapecoense confirmou o acesso ao vencer o Atlético-GO por 1 a 0, com gol de Walter Clar na Arena Condá. O time catarinense terminou em terceiro lugar com 62 pontos. A última vaga para a elite ficou com o Remo, que protagonizou uma virada emocionante diante de sua torcida no Mangueirão, derrotando o Goiás por 3 a 1. Pedro Rocha foi o herói da noite com um hat-trick, virando o jogo após Willean Lepo abrir o placar para os visitantes.

A disputa pelo último lugar no G4 foi acirrada. O Criciúma, que também tinha chances de acesso, precisava vencer o Cuiabá fora de casa, mas acabou perdendo por 1 a 0, com gol de David Miguel, e ainda jogou com um a menos após a expulsão de Felipinho. Com 61 pontos, o Tigre catarinense terminou em quinto lugar, a apenas um ponto da vaga sonhada.

Na zona de rebaixamento, o drama foi igualmente intenso. A Ferroviária lutava contra Atletic e Botafogo-SP para não cair à Série C, mas acabou derrotada pelo Operário por 2 a 1 e foi rebaixada com 40 pontos. O Botafogo-SP escapou ao empatar sem gols e totalizar 42 pontos, ficando em 16º lugar. O Atletic venceu o já rebaixado Paysandu por 2 a 1 e concluiu o campeonato em 15º, com 44 pontos. Juntam-se à Ferroviária na Série C de 2026 o Paysandu, Volta Redonda e Amazonas.

Coritiba encerra ciclo doloroso com título

Para o Coritiba, o título representa muito mais que um troféu. Considerado internamente como o ponto final de um ciclo doloroso, a conquista é vista como o primeiro grande marco de sucesso sob a gestão da Sociedade Anônima do Futebol. O clube havia amargado o rebaixamento dois anos atrás e sua pior campanha da história na Série A, deixando cicatrizes e incertezas sobre o futuro da SAF, que prometeu investimento de R$ 1,1 bilhão em dez anos.

A taça erguida pelo capitão Sebastián Gómez, um dos primeiros reforços da “era SAF”, simboliza uma virada de chave essencial. A conquista traz estabilidade financeira e esportiva, transformando o pessimismo em esperança palpável. O fato de ser o maior campeão da Segundona é um reconhecimento histórico, mas o desafio agora é maior: manter a estabilidade na Série A e acabar com o “efeito iô-iô” que cansa a torcida.

Remo faz história e coloca o Norte de volta à elite

O acesso do Remo é emblemático não apenas para os torcedores paraenses, mas representa um passo relevante para o futebol de toda uma região. O clube retorna à Série A após 31 anos de ausência, desde o rebaixamento em 1994. Mais significativo ainda: o Norte do Brasil não tinha representante na elite desde 2005, quando o Paysandu, principal rival do Remo, disputou a Primeira Divisão.

Divulgação/CBF

Em 2026, será a primeira vez que um time do Norte disputará o atual formato da Série A, em pontos corridos com 20 clubes. A virada histórica no Mangueirão lotado, com hat-trick de Pedro Rocha, eternizou-se na memória dos torcedores azulinos e marca o retorno de uma região ao protagonismo do futebol nacional.

Frustrações de Goiás e Novorizontino

O Goiás viveu uma melancolia ao deixar escapar o acesso. O clube, que iniciou a última rodada dentro do G4, terminou em sexto lugar com 61 pontos – bastava um empate para subir. A campanha começou exemplar, mas derreteu ao longo da competição. A derrota para o Remo por 3 a 1 selou mais um ano na Segundona.

O Novorizontino também amargou a frustração de ficar fora do acesso pelo terceiro ano consecutivo. Apesar das trocas de técnico – saída de Eduardo Baptista às vésperas da competição e chegada de Umberto Louzer, seguida pela contratação de Enderson Moreira – o clube não conseguiu o objetivo. O diretor Michel Alves defendeu o trabalho realizado, citando mais de 150 partidas disputadas nos últimos três anos com mais de 50% de vitórias, mas reconheceu que ajustes são necessários.

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