Reprodução/Netflix

A Netflix inaugurou na Filadélfia sua primeira Netflix House, espaço físico permanente dedicado a experiências imersivas inspiradas em suas séries e filmes. O projeto marca a transição da plataforma, antes restrita ao ambiente digital, para um modelo híbrido que combina entretenimento presencial, estratégia de marca e novas fontes de receita.

O espaço, instalado no King of Prussia Mall, um dos maiores shoppings dos Estados Unidos, ocupa 9.300 m² e reúne atrações como minigolfe temático, mundos de realidade virtual, restaurante, loja de produtos exclusivos, cinema, sala de escape de One Piece e um carnaval inspirado em Wandinha. Personagens icônicos como o Demogorgon, de Stranger Things, e cenários que remetem a Bridgerton, Round 6 e La Casa de Papel aparecem logo na entrada.

Segundo a diretora de marketing da Netflix, Marian Lee, o objetivo é que os visitantes “sejam transportados” para dentro das produções. A iniciativa amplia um movimento iniciado há cinco anos pela empresa, que já promoveu ativações temporárias em mais de 300 cidades, como bailes, jantares interativos e experiências drive-through durante a pandemia.

Expansão para outros estados

A Netflix planeja abrir novas unidades do projeto. A Netflix House Dallas tem inauguração prevista para dezembro, enquanto Las Vegas deve receber sua versão em 2027, com experiências de Willy Wonka após a aquisição dos direitos de Roald Dahl pela plataforma. Cada casa terá atrações próprias e parte delas deve ser rotativa, atualizada ao menos uma vez por ano.

Diferentemente de parques temáticos tradicionais, não há cobrança de entrada. Atividades são pagas individualmente, com valores que vão de US$ 15, no caso do minigolfe, a US$ 39 para experiências imersivas.

Estratégia para além do streaming

A expansão presencial é vista como uma resposta à competição crescente no mercado de streaming e ao limite de atenção no ambiente digital. Executivos da empresa afirmam que eventos físicos ajudam a reforçar a associação entre os títulos mais populares e a marca Netflix — algo que pesquisas internas apontam nem sempre ocorrer espontaneamente entre os fãs.

Para isso, criadores das séries participam do desenvolvimento das atrações, garantindo fidelidade estética e narrativa. No caso de Wandinha, o carnaval interativo e o enredo do mistério foram construídos com o apoio dos produtores Alfred Gough e Miles Millar.

Greg Lombardo, vice-presidente responsável pelas experiências ao vivo, afirma que o foco é atender ao desejo do público de “entrar nos mundos das séries”. Ele reconhece que o retorno financeiro é esperado, mas diz que o objetivo inicial é consolidar a presença da marca no universo offline.

Construção de comunidade

A Netflix House também explora tendências de consumo pós-pandêmicas, com maior busca por entretenimento fora de casa. A empresa acredita que os espaços podem se tornar pontos de encontro entre fãs, ampliando o engajamento e oferecendo novas portas de entrada para franquias já estabelecidas.

A aposta se baseia no sucesso de experiências anteriores, como o show de Stranger Things na Broadway, concertos multimídia de A Vida no Nosso Planeta e ativações como o jantar de Entre Facas e Segredos. A empresa avalia que a imersão física contribui para “realização de desejos” dos fãs — critério adotado para definir quais séries serão adaptadas.

Marcas e futuro

Além das experiências, as unidades terão lojas com produtos exclusivos e itens que reforçam a identidade local, como canecas com expressões regionais. O restaurante Netflix Bites serve pratos temáticos inspirados nas séries, embora ainda passe por ajustes devido às avaliações mistas na abertura.

A empresa pretende que cada unidade funcione como um laboratório de novas experiências e como um polo de reforço da marca. A curto prazo, o foco é atrair visitantes ocasionais; a longo prazo, consolidar um modelo presencial de entretenimento que complemente a estratégia de streaming.

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