
O jornalista Pedro Bial revelou a íntima conexão entre a escrita de seu novo livro, “Isabel do vôlei da vida: a onda mais alta de Ipanema”, e o processo de luto pela morte de sua mãe, a psicanalista Susanne Bial, que faleceu em julho aos 101 anos. Em entrevista ao videocast Conversa vai, conversa vem, de O Globo, Bial contou que, ao mergulhar na história da icônica atleta carioca, encontrou um espelho de sua própria vivência.
“Não percebi isso no início, mas logo vi que estava contando muito da minha história,” afirmou o autor. A descrição da Ipanema que moldou Isabel reflete suas próprias influências, permitindo um “discurso emotivo, sem medo de sentimento,” diferente das amarras do raciocínio jornalístico tradicional.
O processo de escrita coincidiu com os últimos dias de Susanne Bial, que, segundo o filho, “já vinha pedindo para ir”, dada a ausência de prazer e as “indignidades da decrepitude”. Bial relembrou o diálogo sobre abreviar a vida, citando a legislação defasada brasileira e a busca por formas de “morrer dignamente”. A família optou pelos cuidados paliativos para atender ao desejo da mãe, que via a manutenção da vida sem alegria como algo indigno. A experiência levou o jornalista a refletir sobre como a medicina contemporânea nos força a encarar uma questão universal e urgente: “Como a gente quer morrer?”