Portugal
Arquivo pessoal

O menino brasileiro José, de dez anos, foi transferido para uma escola pública de Aveiro após o episódio em que teve partes de dois dedos mutilados durante uma agressão em um colégio de Cinfães, no distrito de Viseu, Portugal. A mudança foi confirmada pela mãe, Nívia Estevam. A família deixou a antiga residência em Souselo e passou a viver com parentes em Aveiro. O padrasto do menino viajou de Barcelona para prestar apoio.

Segundo Nívia, a transferência foi feita pelo portal oficial de matrículas, com necessidade de validação administrativa pelo agrupamento escolar. Durante o processo, a mãe relatou ter buscado contato com a direção da antiga escola e afirmou que não recebeu manifestações de solidariedade.

José perdeu partes de dois dedos da mão esquerda no dia 10 de novembro, quando outros estudantes teriam prendido sua mão em uma porta. A agressão ocorreu dentro das dependências da Escola Básica de Souselo. A escola acionou os serviços de saúde e o menino foi encaminhado inicialmente para o Hospital de São João, no Porto, onde passou por cirurgia de reimplante parcial.

A família informou que José tem tomado medicação para conseguir dormir e que segue em acompanhamento pelo Sistema Nacional de Saúde. Médicos explicaram aos pais que os dedos terão proporções diferentes devido ao nível de lesão e ao processo de cicatrização.

Repercussão em Portugal e no Brasil

O caso gerou repercussão nacional em Portugal e motivou pronunciamentos de autoridades brasileiras. O Ministério da Educação de Portugal informou que abriu um processo de averiguações, conduzido pela Direção-Geral de Estabelecimentos Escolares.

Nos dias seguintes ao episódio, o governo brasileiro, por meio da Embaixada em Lisboa e do Itamaraty, solicitou informações oficiais sobre as circunstâncias da agressão. Segundo o Público e o Observador, o consulado tem acompanhado o caso e oferecido apoio à família. A Câmara de Cinfães também declarou, em nota publicada na imprensa local, que aguardará as conclusões das investigações.

Conduta da escola e relatos da família

Nívia afirmou que, ao tentar formalizar a transferência e buscar esclarecimentos, ouviu de funcionários que o episódio seria “uma briga entre crianças”. Essa narrativa também foi relatada por jornais portugueses como o Jornal de Notícias, que informou que a escola não se pronunciou publicamente desde que o processo administrativo foi instaurado.

A família diz que José não quer retornar ao colégio onde ocorreu a agressão. Segundo a mãe, a mudança para Aveiro foi adotada para garantir segurança e continuidade dos estudos, enquanto o Ministério da Educação português avalia responsabilidades e eventuais medidas adicionais.

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