Reprodução/Instagram

O influenciador Thiago Schutz, conhecido como “Calvo do Campari”, é investigado por agressão e tentativa de estupro contra a namorada, em Salto (SP). Ele foi preso em flagrante na madrugada de sábado (29) e liberado após audiência de custódia, mediante cumprimento de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

Segundo a Polícia Civil, a vítima relatou ter sido agredida após recusar relação sexual. O laudo do Instituto Médico Legal apontou mais de dez lesões pelo corpo, incluindo ferimentos compatíveis com tentativa de defesa. As imagens registradas pela própria vítima mostram o momento em que Schutz se aproxima dela e a segura pelo braço durante a discussão.

A mulher, que mantinha relacionamento com o influenciador havia cerca de três meses, voltou a prestar depoimento na Delegacia de Defesa da Mulher de Salto nesta segunda-feira (1º). Ela afirmou que conseguiu deixar a residência após ligar para a polícia e encontrar uma viatura nas imediações. A defesa de Schutz informou que ele está colaborando com o processo e não comentará o caso até a conclusão das investigações.

Histórico de denúncias

O caso ocorre após registros anteriores envolvendo o influenciador. Em 2023, Schutz foi citado em denúncias de ameaças dirigidas a mulheres que criticaram seus conteúdos nas redes sociais. As ocorrências incluíam mensagens e ligações com teor de intimidação. À época, o influenciador negou ter cometido qualquer crime.

A repetição de episódios envolvendo conflitos com seguidoras e críticas ampliou a atenção pública sobre o caso atual, especialmente após a divulgação do laudo pericial.

Atuação nas redes e relação com o movimento red pill

Schutz administra perfis dedicados ao movimento red pill, que reúne conteúdos sobre masculinidade, relacionamentos e papéis de gênero. Ele oferece cursos e mentorias com foco em desempenho social e vida afetiva, além de conteúdos sobre comportamento masculino. O influenciador afirma ser um dos principais nomes do segmento no Brasil.

Pesquisas sobre masculinidades digitais indicam que comunidades associadas ao red pill operam com discursos que reforçam desconfiança, vigilância e assimetria nas relações de gênero. Esses conteúdos combinam orientações de comportamento masculino com narrativas que apresentam mulheres como adversárias ou manipuladoras, criando ambientes que naturalizam hostilidade e justificam dinâmicas de controle. Para especialistas, a expansão desse ecossistema nas redes influencia a forma como jovens interpretam vínculos afetivos e pode contribuir para a normalização de comportamentos abusivos.

Andamento da investigação

A Delegacia de Defesa da Mulher analisa imagens, laudos e depoimentos colhidos desde o fim de semana. O Ministério Público acompanhará o inquérito para avaliar eventual denúncia formal pelos crimes de agressão e tentativa de estupro. Schutz está proibido de se aproximar da vítima ou manter contato com ela por qualquer meio.

Veja também