Lula e Trump
Ricardo Stuckert/Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou nesta terça-feira (2) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para uma conversa que tratou de comércio, tarifas sobre produtos brasileiros e ações conjuntas de combate ao crime organizado internacional. Segundo o Palácio do Planalto, o diálogo durou cerca de 40 minutos e foi classificado como “produtivo”.

A ligação ocorre dias após os Estados Unidos removerem tarifas adicionais aplicadas desde julho a dezenas de produtos brasileiros. Lula agradeceu pela decisão, mas afirmou que o Brasil deseja avançar nas negociações para retirar as sobretaxas que ainda incidem sobre parte das exportações nacionais.

Retirada parcial das tarifas e origem política das sobretaxas

O governo brasileiro informou que Lula defendeu a eliminação das tarifas que permanecem em vigor e pediu rapidez no processo. A Casa Branca havia suspendido a alíquota adicional de 40% sobre itens como carne bovina, café, frutas e cacau, após reunião entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio.

Segundo a Reuters, as sobretaxas impostas em julho foram apresentadas pela administração Trump como reação à “perseguição judicial” contra Jair Bolsonaro (PL), aliado do republicano. O governo dos EUA justificava o pacote como uma resposta política, o que gerou críticas no Brasil e em outros países afetados.

Lula afirmou a Trump que a normalização comercial é prioridade e destacou os impactos das tarifas restantes sobre setores brasileiros que seguem com exportações restritas.

Combate ao crime organizado e operações transnacionais

Outro ponto central da conversa foi a cooperação bilateral contra redes criminosas internacionais. Lula falou sobre as recentes operações realizadas no Brasil que identificaram lavagem de dinheiro e atuação de organizações com ramificações fora do país. O presidente citou uma investigação no setor de combustíveis que encontrou empresas sediadas em Delaware envolvidas em movimentações financeiras para um dos maiores sonegadores de impostos do Brasil.

Trump expressou, segundo o Planalto, “total disposição” para ampliar o trabalho conjunto. A ligação ocorreu em meio à intensificação das ações militares dos Estados Unidos no Caribe e às operações conduzidas há três meses contra barcos suspeitos de tráfico de drogas na costa da Venezuela. O cenário crescente de pressão americana na região é acompanhado de perto pelo governo brasileiro, que tem demonstrado preocupação com os efeitos sobre a estabilidade na América do Sul.

Relação bilateral e próximos passos

A conversa desta terça-feira foi articulada de forma direta entre os dois presidentes, após trocas de contato realizadas nas últimas semanas. Lula e Trump concordaram em marcar novas conversas para aprofundar os temas discutidos.

O telefonema também sucede o encontro presencial dos dois líderes em outubro, durante a Cúpula da ASEAN, em Kuala Lumpur, quando iniciaram a retomada do diálogo político entre os países.

O governo brasileiro avalia que a retirada parcial das tarifas abre caminho para negociações mais amplas. A expectativa de Brasília é que a revisão completa das taxações e a cooperação em segurança avancem em paralelo, com reuniões técnicas envolvendo Ministérios da Fazenda, Relações Exteriores e Justiça.

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