
A Câmara dos Deputados adiou nesta terça-feira (2) a votação do parecer que recomenda manter o mandato de Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália desde maio após ordem de captura emitida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo condenada em dois processos e com o mandato sob análise no Conselho de Ética, a parlamentar segue formalmente no cargo enquanto o processo político avança lentamente no Legislativo.
O relator do caso, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), apresentou parecer defendendo que não há provas suficientes para a cassação de Zambelli. O relatório reproduziu argumentos utilizados por aliados da parlamentar, como a tese de perseguição judicial, e sugeriu que o caso deveria ser reavaliado futuramente. A leitura gerou reação de parlamentares que esperavam posição mais firme diante das condenações e da prisão no exterior.
A reunião terminou com um pedido de vista, adiando a conclusão do processo para a próxima semana.
Deliberação política
A Constituição não determina perda automática de mandato para parlamentares condenados ou presos no exterior. A cassação depende de análise do Conselho de Ética e de votação em Plenário. Esse rito abre espaço para negociações e manobras internas, o que, na avaliação de analistas e integrantes da própria Câmara, favorece a postergação de decisões sensíveis envolvendo deputados.
No caso de Zambelli, o atraso prolonga o fato de que uma parlamentar condenada e detida fora do país continua, oficialmente, exercendo o mandato e recebendo prerrogativas do cargo.
Omissão parlamentar
O adiamento desta terça-feira reforça a percepção de que a Câmara evita deliberar sobre casos que envolvem seus próprios membros, mesmo quando há decisões judiciais e fatos adicionais que alteram o cenário político. A tramitação lenta e a ausência de definição contrastam com o impacto institucional de manter um mandato ativo enquanto a titular está presa no exterior.
Parlamentares de diferentes legendas afirmaram reservadamente que a indefinição prolongada expõe desgaste político e pode comprometer a credibilidade da Casa diante de episódios semelhantes no futuro.