Sean “Diddy” Combs
Reprodução/Netflix

A Netflix lançou na última terça-feira (2) a série documental Sean Combs: O Acerto de Contas, que reúne novos depoimentos sobre episódios de violência, abuso e conduta coercitiva atribuídos a Sean “Diddy” Combs ao longo de sua carreira.

A produção, dirigida por Alexandria Stapleton e produzida pelo rapper Curtis “50 Cent” Jackson, reconstitui a ascensão e a queda em desgraça do artista, que cumpre pena de 50 meses em Fort Dix, em Nova Jersey, após condenação federal por duas acusações ligadas ao transporte de pessoas para fins de prostituição em 2024.

O documentário apresenta relatos de ex-funcionários, artistas, associados e pessoas que processam Combs em ações civis por abuso sexual — acusações que ele nega. A série inclui ainda imagens inéditas dos dias que antecederam sua prisão em setembro de 2024, registradas pelo próprio artista.

Depoimentos de jurados sobre o julgamento federal

Dois jurados que participaram do julgamento federal deste ano falaram publicamente pela primeira vez. A jurada identificada como 160 afirmou que o vídeo de vigilância de 2016, no qual Combs agride a cantora Casandra “Cassie” Ventura, foi decisivo na percepção de que o artista demonstrava comportamento violento. O jurado 75 destacou contradições e complexidade no relacionamento entre Ventura e Combs, mencionando mensagens de texto apresentadas no tribunal pela defesa.

O júri condenou Combs por duas acusações relacionadas à prostituição e o absolveu das acusações mais graves de tráfico sexual e conspiração para extorsão.

Relatos de abusos, episódios de violência e assédio

A cantora Aubrey O’Day, ex-integrante do grupo Danity Kane, detalhou mensagens de caráter sexual atribuídas a Combs durante o período do reality Making the Band, da MTV. O’Day relatou ainda ter sido demitida após recusar participação em situações de caráter sexual. Uma declaração juramentada citada no documentário menciona um episódio de agressão sexual envolvendo O’Day, fato do qual ela afirma não ter lembrança.

A ex-executiva Capricorn Clark, que testemunhou contra o artista no julgamento, afirmou no documentário ter sido sequestrada e ameaçada de morte por Combs. Ela disse que o júri “não acreditou em nada” do que relatou.

O cofundador da Bad Boy Entertainment, Kirk Burrowes, retomou acusações antigas sobre comportamento abusivo, alegando que episódios de violência cercavam o círculo interno do artista. Burrowes voltou a sugerir que Combs poderia ter relação indireta com o assassinato de Tupac Shakur, acusação sempre negada pelo músico.

Imagens privadas e disputa sobre direitos

A série abre com registros privados filmados nos seis dias antes da prisão de Combs, quando ele discutia estratégias com advogados em Nova York. A diretora Alexandria Stapleton afirmou que a produção adquiriu legalmente essas imagens após a prisão.

A defesa de Combs contestou o uso do material, afirmando que a Netflix estaria explorando “imagens roubadas” e conduzindo um projeto “unilateral” motivado pela rivalidade entre Combs e 50 Cent. O porta-voz Juda Engelmayer afirmou ao The Guardian que o documentário repete “alegações sem contexto” e que diversas histórias têm origem em disputas pessoais, motivações financeiras ou problemas de credibilidade.

Repercussão da estreia

A série foi recebida por críticos internacionais como um retrato incisivo das acusações que marcaram a trajetória do artista e como uma obra que amplia o entendimento público sobre as denúncias. Combs continua recorrendo da condenação e enfrentando dezenas de processos civis relacionados a denúncias de abuso sexual.

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