
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) fez um aceno ao governo federal ao agradecer publicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento oficial no Amapá nesta sexta-feira (5). A manifestação ocorreu depois de dias de tensionamento entre Executivo e Senado em razão da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Alcolumbre, que havia criticado a forma como a indicação foi conduzida, afirmou no evento com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que Lula demonstrou “sensibilidade” ao apoiar iniciativas voltadas a seu estado natal e pediu que o agradecimento fosse transmitido ao presidente. O gesto foi observado por interlocutores do Executivo como sinal de que o Senado busca reabrir o canal político após o desgaste acumulado.
A origem da crise
O conflito direto com Lula começou após o anúncio do nome de Messias para a vaga no STF. Alcolumbre esperava ser consultado de maneira mais direta, e aliados afirmaram que ele defendia alternativas internas ao Senado. A forma e o momento da escolha ampliaram o mal-estar entre as instituições.
A tensão aumentou quando o Senado comunicou que a sabatina não ocorreria em 2025. O relator e líderes do governo confirmaram que a análise seria empurrada para 2026, citando o calendário apertado e a necessidade de evitar uma votação em clima de conflito. A decisão retirou a disputa imediata do centro da agenda, mas manteve o impasse político em aberto.
Indicação e leitura no Senado
A formalização da indicação também influenciou o ambiente. A comunicação ao Senado foi feita por ministros, e não diretamente por Lula, evidenciando o distanciamento entre as partes no momento mais delicado da disputa. A escolha pela entrega ministerial foi lida por parlamentares como tentativa do Planalto de reduzir a exposição presidencial enquanto buscava recompor o diálogo.
Nos bastidores, senadores reconheceram que o adiamento da sabatina ofereceu tempo para reorganizar posições e evitar derrotas públicas, permitindo que o Senado conduzisse a situação de maneira mais controlada.
Significado político do aceno de Alcolumbre
O agradecimento de Alcolumbre foi recebido no Planalto como o primeiro gesto concreto de distensão desde o início da crise. Fontes do Executivo avaliavam que, sem esse movimento, a relação institucional poderia se deteriorar a ponto de comprometer pautas prioritárias do governo no Senado.
A aproximação ocorre após uma semana marcada por discursos duros, críticas abertas e negociações intensas nos bastidores. Ao fazer o gesto em evento público, Alcolumbre sinalizou que a relação entre as instituições pode voltar a um patamar mais estável enquanto se aguarda a retomada do processo de sabatina no próximo ano.
O que esperar a partir de agora
Com a indicação de Messias parada até 2026, tanto o governo quanto o Senado buscam reduzir o desgaste acumulado. A expectativa é de que, até o início do próximo ano legislativo, a articulação política possa reorganizar apoios e construir ambiente favorável à tramitação.
O episódio também se tornou um teste para medir o alcance institucional de Alcolumbre e a capacidade do Planalto de conduzir escolhas para a Corte em um contexto de fragmentação política. A forma como a reaproximação avançar determinará não apenas o destino da indicação, mas também o ritmo de cooperação entre Executivo e Legislativo no início de 2026.