
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto, anunciada dias após receber o aval de Jair Bolsonaro, provocou forte resistência entre lideranças do Centrão e acentuou a sensação de fragmentação no campo da direita. Interlocutores do bloco afirmam que o lançamento do nome do senador rompeu a articulação que vinha se formando em torno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado até então como a opção mais viável para unificar partidos conservadores e atrair o mercado financeiro.
Flávio reconhece internamente que não conta com apoio automático das siglas do Centrão — PP, União Brasil e Republicanos — e admite que outros candidatos devem surgir nesse espectro ideológico. Ainda assim, o senador mantém extensa agenda política. Nesta segunda-feira (8), ele se reúne com líderes partidários, incluindo Valdemar Costa Neto (PL), Ciro Nogueira (PP) e Antônio Rueda (União), para discutir o cenário eleitoral e o tema mais sensível do momento: a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
No domingo (7), Flávio ampliou as especulações ao afirmar que existe um “preço” para desistir da corrida presidencial. Em entrevista à TV Record, ele afirmou que essa condição é ver seu pai, condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado e já cumprindo pena, solto e apto a disputar as eleições novamente. A sinalização reforça a leitura de que sua candidatura busca preservar o capital político do bolsonarismo e manter mobilizada a base mais fiel do movimento.
No Centrão, porém, a avaliação é que qualquer tentativa de anistia ampla é inviável neste momento. A percepção é de que, sem Tarcísio, abre-se uma janela para nomes alternativos capazes de captar o eleitorado nem-lulista nem-bolsonarista, como o governador do Paraná, Ratinho Jr. Outros potenciais postulantes também se movimentam, entre eles Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União) e o líder do MBL, Renan Santos. A disputa pela liderança da direita segue aberta — e mais fragmentada do que nunca.