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A vereadora Talita Galhardo provocou intensa polêmica nas redes sociais após publicar vídeo orientando a população a não oferecer refeições a pessoas em situação de rua. Segundo ela, a prática “estimula a permanência nas calçadas” e “acaba ajudando a aumentar índices de criminalidade”.

Na postagem que viralizou, Talita criticou especialmente a intenção de uma igreja de promover ceia de Natal para moradores de rua na Praia dos Amores, no início da Barra da Tijuca. A vereadora afirmou que parte dessa população se mantém nas ruas porque já “têm uma rotina” estabelecida, recebendo refeições, kits de higiene, cortes de cabelo e outras doações.

Ela argumentou ainda que existem vagas em abrigos municipais, mas muitos recusam o acolhimento por causa das regras internas, como proibição de drogas e separação entre homens e mulheres. “Eu falo porque já fui subprefeita de Jacarepaguá. Existem casas de acolhimento, mas eles não querem ir porque não se pode consumir drogas, têm horários estipulados e não pode dormir homem junto com mulher”, declarou.

A reação nas redes foi majoritariamente crítica. Usuários acusaram a vereadora de insensibilidade e criminalização da pobreza.

A ONG Ação da Cidadania, que promove a campanha Natal sem Fome, fez dura crítica ao discurso. Rodrigo Afonso, diretor-executivo, afirmou que a declaração revela “falta de empatia e desconhecimento da realidade”. “Não é a comida que mantém alguém na rua. É a ausência de política habitacional, de saúde mental, de tratamento, de renda. Criminalizar a solidariedade é inverter a lógica da humanidade. Fome não é caso de polícia; é caso de política pública”, declarou.

A Secretaria Municipal de Assistência Social informou que realiza abordagens sociais 24 horas por dia na Zona Sudoeste e em toda a cidade. Como o acolhimento não é obrigatório, quando há adesão, a pessoa é levada a unidade da rede para receber abrigo e apoio psicossocial.

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