
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deu o pontapé inicial para a mais ambiciosa reestruturação do futebol nacional neste século. A partir de 2026, uma série de medidas entrará em vigor, visando elevar a qualidade do espetáculo, garantir maior saúde financeira aos clubes e alinhar o esporte brasileiro aos padrões internacionais de governança.
O principal avanço estrutural reside na profissionalização da arbitragem. Os árbitros deixarão a condição de amadores ou semiprofissionais para se tornarem funcionários em tempo integral da CBF. Esta medida busca melhorar drasticamente a qualidade técnica das decisões em campo, garantir treinamentos contínuos, acompanhamento psicológico e dar maior segurança à carreira. É uma resposta direta às críticas históricas sobre a inconsistência e a falta de dedicação exclusiva dos juízes. Espera-se que, com o status profissional, os árbitros se concentrem exclusivamente na função, resultando em um nível de excelência superior.
Outro pilar da reforma é a revisão do calendário nacional. Amplamente criticado pelo excesso de jogos e pouco tempo de descanso, o novo modelo será mais enxuto. A redução de datas, especialmente em períodos cruciais e a dilatação do período de disputa do Brasileirão, buscam equilibrar o número de partidas e proporcionar períodos de repouso adequados aos atletas. Essa alteração visa mitigar o desgaste físico, reduzir lesões e, consequentemente, aumentar o nível técnico e a competitividade das partidas.
Outra novidade é o regime de Fair Play Financeiro (FFP). Os clubes serão obrigados a cumprir metas estritas de saúde fiscal, transparência na gestão e pagamentos de salários e encargos em dia. A ideia é evitar o endividamento excessivo e a irresponsabilidade administrativa. O FFP brasileiro contará com punições severas, incluindo multas pesadas e a potencial perda de pontos nas competições para aqueles que desrespeitarem as regras, garantindo a estabilidade e a credibilidade a longo prazo.
O rearranjo das vagas para a Copa Libertadores da América também está em pauta. A ideia é valorizar a Copa do Brasil que, a partir de 2026, dará duas vagas à competição continental.
No âmbito da Série A, a CBF iniciou um estudo detalhado para reavaliar o limite de atletas estrangeiros por partida. A proposta em análise visa a diminuição da cota atual (9). O objetivo é equilibrar a atratividade e a competitividade do torneio com a necessidade crucial de fomentar a formação e o desenvolvimento de talentos brasileiros, garantindo espaço e visibilidade para jovens promessas nacionais nos elencos principais.