Boulos
Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o fim da escala de trabalho 6×1 é prioridade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2026. Segundo ele, o Planalto trabalha para que a mudança avance no Congresso no primeiro semestre do próximo ano, como parte de uma revisão mais ampla da jornada de trabalho no país.

A escala 6×1, comum em setores como comércio e serviços, prevê seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso. Para Boulos, o modelo se tornou incompatível com as transformações do mercado de trabalho e com a necessidade de garantir melhores condições de vida aos trabalhadores. “É inaceitável que ainda tenhamos a escala 6×1 no Brasil”, afirmou o ministro nesta sexta-feira (12).

Jornada, salário e novo limite de horas

Boulos destacou que a proposta defendida pelo governo não prevê redução salarial e deve ser implementada por meio de transição negociada. “Não pode haver redução de salário. A mudança precisa melhorar a vida de quem trabalha, não piorar”, disse.

O ministro também citou que já há textos aprovados no Congresso que apontam para uma reorganização mais profunda da jornada. Uma das propostas estabelece o limite de até 36 horas semanais de trabalho, com possibilidade de compensação, o que representa uma mudança significativa em relação ao teto atual de 44 horas previsto na Constituição.

Segundo Boulos, a discussão sobre a escala 6×1 está inserida em um debate mais amplo sobre produtividade, saúde e tempo de vida. Para ele, a redução da jornada não significa perda de eficiência econômica, mas adaptação a novos modelos de organização do trabalho. “Estamos falando de tempo de vida, de saúde e de dignidade”, afirmou.

O ministro reconheceu que a mudança exigirá diálogo com diferentes setores econômicos e atenção especial às pequenas e médias empresas. De acordo com ele, o governo avalia mecanismos de implementação gradual para evitar impactos abruptos na geração de empregos e na prestação de serviços essenciais.

No Congresso Nacional, a pauta já mobiliza audiências públicas e negociações entre parlamentares da base do governo, representantes do setor produtivo e entidades sindicais. A expectativa do Planalto é consolidar um texto que substitua a escala 6×1 por modelos mais equilibrados, como a jornada 5×2, alinhados à limitação de horas semanais.

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