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A Promotoria de Berlim apresentou, na segunda-feira (15), uma denúncia formal contra o deputado federal Matthias Moosdorf, do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), por uso de símbolo anticonstitucional dentro da sede do Parlamento alemão. A acusação se refere a um episódio ocorrido em 2023, quando o parlamentar teria feito a saudação nazista em uma antessala do Bundestag.

Segundo o Ministério Público, Moosdorf cumprimentou um colega de partido batendo os calcanhares em postura militar e estendendo o braço direito, gesto proibido pela legislação alemã desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A promotoria afirma que o deputado tinha consciência de que o gesto era visível para outras pessoas presentes no local. Caso a denúncia seja aceita pelo tribunal, Moosdorf pode ser condenado a multa ou a até três anos de prisão.

A imunidade parlamentar do deputado já havia sido retirada em outubro, abrindo caminho para o avanço da investigação. Embora o comunicado oficial da promotoria não cite o nome do acusado, veículos da imprensa alemã confirmaram tratar-se de Moosdorf, de 60 anos, representante do distrito de Zwickau, no estado da Saxônia, no leste do país.

Denúncia e reação do deputado

Matthias Moosdorf negou as acusações e classificou a denúncia como “absurda”. Em publicações nas redes sociais, afirmou que o inquérito se baseia no depoimento de uma única testemunha, um ex-deputado do Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda. Segundo Moosdorf, outras oito pessoas que estavam no local, incluindo funcionários do Parlamento e agentes de segurança, teriam negado a versão apresentada pela promotoria.

O tribunal de Berlim agora decidirá se aceita a denúncia e abre um processo formal contra o parlamentar pelo uso de símbolos ligados a organizações anticonstitucionais. Na Alemanha, a legislação proíbe expressamente slogans, gestos e símbolos associados ao regime nazista, como parte do arcabouço legal criado no pós-guerra para impedir a rearticulação do extremismo.

AfD e histórico de controvérsias

O caso de Moosdorf não é isolado dentro da Alternativa para a Alemanha. O partido, fundado em 2013 com perfil eurocético, passou por uma guinada à direita a partir da crise migratória de 2015 e hoje é identificado como uma das principais forças da ultradireita no país. Nos últimos anos, diversos de seus dirigentes e parlamentares se envolveram em episódios judiciais ou sanções políticas.

Em 2024, Björn Höcke, líder da AfD no estado da Turíngia, foi condenado duas vezes ao pagamento de multas por utilizar um slogan da era nazista durante um comício. Outro deputado do partido, Maximilian Krah, teve a imunidade parlamentar suspensa em setembro por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a China. Um ex-assessor de Krah no Parlamento Europeu foi condenado a quatro anos e nove meses de prisão por espionagem a favor de Pequim.

O próprio Moosdorf já havia sido punido internamente pela AfD em setembro, com uma multa de 2 mil euros, após viajar à Rússia sem autorização do partido. O deputado mantém relações próximas com o governo de Vladimir Putin e recebeu o título de professor honorário em um conservatório russo.

Apesar das controvérsias, a AfD ampliou sua presença institucional. Na eleição federal de 2024, o partido formou a segunda maior bancada do Bundestag e, nos últimos meses, tem liderado ou figurado entre os primeiros colocados em pesquisas de intenção de voto. A ascensão da legenda tem alimentado debates na Alemanha sobre os limites da liberdade política e os mecanismos institucionais de contenção do extremismo.

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