Geração Z
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Uma pesquisa divulgada esta semana indica que a geração Z — formada por jovens nascidos entre o fim da década de 1990 e o início dos anos 2010 — tende a enxergar o mundo como um ambiente instável, arriscado e pouco previsível. O estudo revela níveis elevados de medo, pessimismo e ceticismo entre os entrevistados, com impactos diretos sobre a forma como avaliam o futuro, a política e as relações sociais.

A pesquisa foi conduzida pelo cientista social Gabriel Rubin, da Universidade Estadual de Montclair, nos Estados Unidos, e apresentada em um congresso internacional sobre análise de risco. O levantamento se baseia em entrevistas aprofundadas com 107 jovens, realizadas ao longo de dois anos, com foco na percepção de ameaças, no sentimento de controle sobre a própria vida e na confiança em instituições e processos coletivos.

Segundo o estudo, a maioria dos participantes concorda com a ideia de que o mundo atual é um lugar perigoso. Essa percepção não se restringe a riscos físicos, mas inclui dimensões econômicas, sociais, ambientais e digitais. Questões como violência, instabilidade política, crise climática, desinformação e insegurança financeira aparecem de forma recorrente nos relatos.

Percepção de risco e saúde mental

Os dados indicam que a geração Z tende a identificar riscos em praticamente todos os espaços da vida cotidiana, do ambiente escolar às redes sociais. A pesquisa aponta que essa leitura constante de ameaça está associada a níveis mais altos de ansiedade, estresse e sentimentos de impotência, especialmente quando os jovens avaliam sua capacidade de influenciar o curso dos acontecimentos.

Outro ponto destacado é a dificuldade de lidar com incertezas. Muitos entrevistados demonstraram uma visão dicotômica da realidade, classificando situações como totalmente seguras ou totalmente perigosas, sem reconhecer zonas intermediárias. Segundo o pesquisador, esse padrão pode estar ligado ao consumo intensivo de conteúdos digitais, frequentemente marcados por alarmismo, polarização e narrativas extremas.

O estudo também observa que, embora a geração Z seja frequentemente associada ao ativismo, há um contraste entre discurso e expectativa de resultado. Muitos jovens afirmam apoiar causas sociais e ambientais, mas não acreditam que suas ações individuais ou coletivas sejam capazes de produzir mudanças concretas no curto ou médio prazo.

Fatores formativos e contexto histórico

A pesquisa relaciona essa visão de mundo a eventos formativos vividos por essa geração. Entre eles estão a pandemia de Covid-19, que afetou processos de socialização e escolarização, o avanço acelerado das tecnologias digitais, a exposição constante a crises globais e a instabilidade econômica em diversos países.

Diferentemente de gerações anteriores, a geração Z cresceu em um ambiente no qual notícias negativas circulam em tempo real e em grande volume. Esse fluxo contínuo de informações, segundo o estudo, contribui para a sensação de que os riscos são permanentes e inescapáveis.

Os pesquisadores ressaltam que o retrato apresentado não deve ser interpretado como homogêneo ou definitivo, mas como um indicativo de tendências que ajudam a compreender comportamentos, escolhas e formas de engajamento dos jovens. A leitura predominante de um futuro incerto pode influenciar decisões sobre carreira, consumo, participação política e relações sociais.

Para especialistas, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à saúde mental, educação midiática e criação de espaços de participação que ampliem a confiança dos jovens em processos coletivos. Compreender como a geração Z percebe o mundo é visto como passo fundamental para enfrentar desafios sociais que tendem a se intensificar nos próximos anos.

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