
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quarta-feira (17) a saída de Celso Sabino do Ministério do Turismo. A decisão foi tomada após o União Brasil pedir formalmente a devolução da pasta, em meio ao agravamento do conflito entre o então ministro e a direção partidária, que vinha se intensificando desde a semana anterior.
A exoneração ocorre poucos dias depois de um racha público entre Sabino e a cúpula da legenda. O ministro passou a criticar decisões internas do partido, entrou em confronto direto com a direção e acabou expulso da sigla, o que tornou sua permanência no governo politicamente inviável tanto para o Palácio do Planalto quanto para a liderança partidária.
No entorno do presidente, a avaliação foi de que manter Sabino no cargo prolongaria um desgaste desnecessário com um partido que integra a base, mas atua de forma fragmentada e frequentemente tensiona sua relação com o Executivo. A opção de Lula foi encerrar o impasse para evitar que a crise contaminasse outras negociações em curso no Congresso.
Segundo relatos de bastidores, a crise se aprofundou quando Sabino passou a sinalizar alinhamento mais direto ao governo federal, contrariando a estratégia do União Brasil de preservar autonomia política e ampliar seu poder de barganha legislativa. A reação da sigla foi exigir a devolução da pasta do Turismo, transformando o episódio em um teste de força entre partido e Planalto.
A saída de Sabino também expõe os limites do modelo de indicações partidárias na Esplanada. Mesmo com trânsito no governo, ministros tornam-se vulneráveis quando perdem sustentação dentro da própria legenda ou passam a simbolizar disputas internas e reposicionamentos políticos.
Disputa pela sucessão
Com a vaga aberta, o Ministério do Turismo entrou no radar de novas negociações políticas. Nos bastidores, um dos nomes cotados é o da secretária-executiva da pasta, vista como opção de continuidade técnica e administrativa. Ao mesmo tempo, outras siglas da base avaliam disputar o comando do ministério como parte de uma reorganização mais ampla de espaços no governo.
No Planalto, a definição ainda é tratada com cautela. A tendência é que Lula utilize a escolha do novo titular para recalibrar a relação com o União Brasil ou, alternativamente, para redistribuir forças dentro da base aliada em um momento de disputas crescentes por espaço político.
Projeto político de Sabino
Fora do governo, Celso Sabino mantém aspirações eleitorais. Deputado federal licenciado pelo Pará, ele é apontado nos bastidores como potencial candidato em 2026, especialmente ao Senado, usando a visibilidade acumulada no comando do Turismo como plataforma política. A leitura entre aliados é de que o movimento de enfrentamento com o partido também esteve ligado à tentativa de construir um projeto próprio, ainda que isso tenha acelerado sua saída do ministério.
A troca no Turismo ocorre em um momento em que o governo busca reduzir focos de instabilidade na base e reorganizar sua articulação política para 2026. A definição do novo ministro deve indicar se o Planalto optará por acomodar novamente o União Brasil ou por redesenhar o equilíbrio interno da Esplanada.