
O Exército da Venezuela reagiu ao anúncio de um bloqueio dos Estados Unidos a navios petroleiros ligados ao país e classificou o presidente norte-americano Donald Trump como “delirante”. Em comunicado divulgado nesta semana, a cúpula militar reiterou apoio ao governo de Nicolás Maduro e afirmou que as Forças Armadas permanecem alinhadas ao Executivo venezuelano.
No texto, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, declarou que as Forças Armadas Bolivarianas “não reconhecem nem reconhecerão ações ilegais que atentem contra a soberania nacional” e afirmou que a Venezuela “não aceitará chantagens nem ameaças externas”. Segundo ele, as declarações de Trump “carecem de base jurídica e demonstram desconhecimento do direito internacional”.
A reação ocorreu após o governo dos Estados Unidos anunciar medidas para interceptar petroleiros sancionados que entrem ou saiam de portos venezuelanos. A iniciativa representa um endurecimento da política de sanções contra Caracas e foi apresentada por Washington como parte das ações para restringir o comércio de petróleo do país.
Apelo internacional
Diante da escalada, o caso provocou manifestações de outros governos. Nesta quarta-feira (17), a presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que solicitou a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) para evitar o agravamento do conflito. “Pedimos à ONU que atue para impedir qualquer derramamento de sangue na Venezuela. O México rejeita qualquer forma de intervenção externa”, declarou.
Na Europa, o governo da Alemanha também se manifestou. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou que Berlim acompanha a situação “com grande preocupação” e alertou que medidas como o bloqueio de petroleiros “podem colocar em risco a paz e a estabilidade na região”. Segundo o governo alemão, “ações unilaterais aumentam o risco de escalada” e devem ser evitadas.
O bloqueio anunciado por Washington teve impacto imediato no setor energético. Operadores do mercado internacional passaram a monitorar possíveis efeitos sobre as exportações venezuelanas e sobre as rotas marítimas no Caribe, em meio a um cenário de tensão geopolítica.
Até o momento, os Estados Unidos não sinalizaram recuo das medidas. O governo venezuelano informou que seguirá denunciando o bloqueio em fóruns internacionais e reiterou, por meio do comando militar, que “a lealdade das Forças Armadas ao presidente Nicolás Maduro é absoluta”.