
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta sexta-feira (19), a pesquisa PIB dos Municípios 2022-2023, revelando um ponto de inflexão na economia brasileira. Após atingirem sua menor participação histórica em 2022 (27,5%), as 27 capitais do país voltaram a crescer, abocanhando 28,3% da riqueza nacional em 2023. Esse movimento interrompeu uma tendência de descentralização que vinha sendo intensificada desde o início da pandemia.
O principal motor dessa “re-concentração” foi a pujança do setor de serviços, especialmente atividades financeiras e de seguros, que encontram seus maiores polos nas regiões metropolitanas. São Paulo (SP) liderou os ganhos de participação no PIB nacional, saltando de 9,4% para 9,7%. O avanço paulistano foi acompanhado por outras capitais como Brasília (+0,08 p.p.), Porto Alegre (+0,06 p.p.) e Rio de Janeiro (+0,05 p.p.).
O tombo das cidades do petróleo
Enquanto as capitais comemoram, os municípios fortemente dependentes da indústria extrativa registraram as maiores perdas. Segundo o IBGE, todos os cinco municípios com os recuos mais intensos de participação no PIB estão ligados à exploração de petróleo e gás.
Maricá (RJ) liderou as perdas nacionais com uma queda de 0,3 ponto percentual, seguida por Niterói (RJ), Saquarema (RJ), Ilhabela (SP) e Campos dos Goytacazes (RJ). O fenômeno é explicado pela conjuntura internacional: embora o volume produzido tenha crescido 9,2%, os preços das commodities sofreram uma retração de 22,7% em 2023, reduzindo o Valor Adicionado Bruto (VAB) dessas localidades.
A força de São Paulo e as desigualdades regionais
A pesquisa também confirmou que a economia brasileira continua extremamente concentrada. Apenas dez municípios respondem por 24,5% de todo o PIB nacional. São Paulo sozinha detém quase 10% da economia do país.
A densidade econômica (riqueza produzida por quilômetro quadrado) ilustra o abismo entre as regiões. Nas grandes concentrações urbanas, a densidade é 10,2 vezes maior que a média nacional. Osasco (SP) destaca-se como o município de maior densidade econômica do Brasil, com mais de R$ 1,8 bilhão produzido por km².
No topo da pirâmide do PIB per capita, Saquarema (RJ) lidera com impressionantes R$ 722,4 mil por habitante, refletindo a enorme receita petrolífera frente à sua população. No extremo oposto, Manari (PE) registrou o menor PIB per capita do país (R$ 7.201,70), evidenciando que, apesar da recuperação dos grandes centros, o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais profundos para distribuir sua riqueza de forma equânime.
