
A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta sexta-feira (19) o segundo homem suspeito de participação no roubo de obras de arte da Biblioteca Mário de Andrade, ocorrido em 7 de dezembro, no centro da capital. O primeiro preso foi identificado como Felipe dos Santos Fernandes Quadra, detido no dia seguinte ao crime. Um terceiro envolvido já foi identificado e segue sendo procurado.
As investigações avançam na tentativa de localizar as obras roubadas e esclarecer o destino das peças, consideradas de relevância histórica para o acervo público.
Como o roubo foi planejado e executado
O crime ocorreu durante o horário de funcionamento da biblioteca. Dois homens armados entraram no prédio, renderam um vigilante e visitantes que estavam no local e se dirigiram diretamente ao espaço expositivo, o que indica conhecimento prévio da disposição das obras.
Em poucos minutos, os suspeitos retiraram as peças das vitrines, colocaram-nas em sacolas e deixaram o local pela porta principal. Imagens de câmeras de segurança internas e externas registraram a ação e permitiram a identificação dos envolvidos.
Quais obras foram levadas
Foram roubadas 13 gravuras, sendo oito do artista francês Henri Matisse e cinco do brasileiro Cândido Portinari. As obras integravam a exposição Do livro ao museu, realizada em parceria com o Museu de Arte Moderna de São Paulo.
As gravuras de Matisse fazem parte de séries produzidas ao longo do século XX, com circulação restrita no mercado internacional. Já as obras de Portinari pertencem a conjuntos gráficos associados à fase madura do artista, com forte valor histórico para a arte brasileira.
As peças pertencem a acervos públicos e não estavam à venda, o que dificulta sua negociação legal.
Estimativa de prejuízo financeiro e cultural
A polícia informou que o valor financeiro exato das obras ainda está sendo apurado, mas especialistas em mercado de arte ouvidos durante a investigação estimam que o conjunto roubado possa alcançar valores entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões, considerando preços praticados em negociações internacionais de gravuras semelhantes.
Autoridades ressaltam, no entanto, que o prejuízo não é apenas econômico. Por se tratar de obras de acervo público e de circulação controlada, a perda cultural é considerada significativa, especialmente se as peças forem danificadas ou fragmentadas para venda ilegal.
Risco de mercado ilegal e busca pelas obras
A principal linha de investigação é que as gravuras tenham sido destinadas ao mercado ilegal de arte, onde peças roubadas costumam ser revendidas a colecionadores privados ou usadas como moeda de troca em esquemas criminosos.
Por esse motivo, a polícia acionou mecanismos de cooperação para alertar instituições culturais, galerias e casas de leilão sobre o desaparecimento das obras. Até o momento, nenhuma peça foi recuperada.
Segurança em instituições culturais
O roubo reacendeu discussões sobre a segurança em bibliotecas, museus e centros culturais que mantêm exposições temporárias com obras de alto valor histórico. A Biblioteca Mário de Andrade é um dos principais equipamentos culturais do país e recebe grande circulação diária de público.
As investigações seguem em andamento, com foco na captura do terceiro suspeito e na recuperação das gravuras roubadas.