Malafaia
Reprodução/YouTube

O pastor Silas Malafaia acusou, nesta sexta-feira (19), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, de suposto tráfico de influência. A acusação foi apresentada em vídeos divulgados nas redes sociais e formalizada por meio de representações encaminhadas a órgãos de controle.

A alegação tem como base a existência de um contrato de prestação de serviços jurídicos entre um escritório de advocacia do qual Viviane Barci de Moraes é sócia e o Banco Master. Malafaia não apresentou elementos que indiquem atuação direta do ministro em processos envolvendo a instituição.

O que está documentado

De acordo com informações públicas, o contrato citado envolve prestação de serviços jurídicos regulares. A legislação brasileira não proíbe que cônjuges de ministros do Supremo exerçam advocacia, desde que sejam observadas as regras de impedimento e suspeição previstas em lei.

O próprio Alexandre de Moraes afirmou que não atua, não atuou e não relatará processos envolvendo o Banco Master, justamente para evitar qualquer conflito de interesses. O STF possui normas internas que determinam o afastamento automático de ministros em situações desse tipo.

Um padrão de confrontos com o Judiciário

As acusações ocorrem em um contexto de embates recorrentes entre Silas Malafaia e o Supremo Tribunal Federal. Nos últimos anos, o pastor se tornou um crítico frequente da Corte, especialmente de Alexandre de Moraes, relator de inquéritos que investigaram atos antidemocráticos, financiamento de manifestações golpistas e estruturas de desinformação.

Essas investigações atingiram aliados políticos, financiadores e integrantes do entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem Malafaia é aliado declarado.

Histórico de investigações e controvérsias

O pastor também acumula um histórico de episódios que o colocaram sob investigação de autoridades. Ao longo da última década, Malafaia foi citado em apurações do Ministério Público e da Polícia Federal envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro, irregularidades fiscais e movimentações financeiras atípicas, especialmente relacionadas à venda de livros, eventos religiosos e arrecadações feitas junto a fiéis.

Essas investigações resultaram em diligências e quebras de sigilo, embora não tenham levado a condenações criminais. Os episódios, no entanto, permanecem registrados em decisões judiciais e reportagens de imprensa.

Atuação política e alinhamento ideológico

Além da atuação religiosa, Malafaia se consolidou como agente político ativo. Nos últimos anos, organizou atos públicos, financiou estruturas de mobilização e se tornou um dos principais defensores públicos da família Bolsonaro, atuando como interlocutor com segmentos do eleitorado evangélico.

Essa atuação se intensificou após decisões do STF que restringiram ações de aliados do ex-presidente e avançaram sobre investigações relacionadas à tentativa de ruptura institucional.

Acusação sem desdobramento até o momento

Até o momento, não há registro de abertura de investigação formal contra Alexandre de Moraes ou sua esposa em razão das acusações feitas por Malafaia. As representações protocoladas deverão ser analisadas pelos órgãos competentes, que decidirão se existem elementos mínimos para apuração.

O episódio se soma a uma sequência de confrontos públicos entre o pastor e o Supremo, em um ambiente político ainda marcado por disputas em torno da atuação da Corte e de seus ministros.

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