Luiz Silveira/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes teria procurado ao menos quatro vezes o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, segundo revelação da colunista Malu Gaspar em seu blog no jornal O Globo. Dos quatro encontros, três teriam sido presenciais e um por telefone.

Em nota divulgada nesta terça-feira (23), Moraes afirmou que manteve reuniões com presidentes de instituições financeiras para discutir os efeitos da Lei Magnitsky, aplicada contra o magistrado e membros de sua família pelo governo dos Estados Unidos.

De acordo com a apuração, em julho deste ano Moraes teria pedido um encontro com Galípolo para solicitar que o chefe do Banco Central aprovasse uma operação envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o BRB. Moraes teria dito que gosta de Vorcaro durante a conversa.

Galípolo teria informado ao ministro que a autarquia, responsável pela regulação do sistema financeiro, já havia descoberto fraudes na operação do Master. Diante dessa informação, Moraes teria concordado que, havendo fraude, seria inviável a operação de venda.

O contrato entre o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master renderia pagamentos de R$ 3 milhões mensais e incluía a defesa dos interesses da instituição em diversas frentes, inclusive o Congresso Nacional e o Banco Central.

Após a publicação da reportagem, congressistas já falam em coletar assinaturas para a abertura de uma CPI do Banco Master. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou que iniciará a coleta de assinaturas para uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o assunto.

Leia a nota de Moraes na íntegra:

“O ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnitsky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil e o presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú. Além disso, participou de reunião conjunta com os presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da Febraban, do BTG e os vice-presidentes do Santander e Itaú.

Em todas as reuniões foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito”.

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