
O Palácio do Planalto se prepara para realizar, pelo terceiro ano consecutivo, um ato público em memória da invasão às sedes dos Três Poderes, ocorrida em 8 de janeiro de 2023, em Brasília. A cerimônia, prevista para o dia 8 de janeiro de 2026, será organizada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou a presença de todo o primeiro escalão do governo federal na data.
A solenidade deverá reunir autoridades dos Três Poderes. Além de ministros de Estado, o governo pretende convidar os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, ministros do Supremo Tribunal Federal, parlamentares e comandantes das Forças Armadas, reforçando o caráter institucional do evento. Em 2025, os chefes do Legislativo não participaram do ato, em meio a tensões envolvendo emendas parlamentares e o debate sobre anistia aos condenados.
Neste ano, o evento ganha um componente político adicional: o presidente Lula pretende vetar o Projeto de Lei da Dosimetria durante a cerimônia. A proposta, aprovada pelo Congresso, altera critérios de aplicação de penas e, na avaliação do Planalto, pode enfraquecer decisões judiciais relacionadas aos ataques golpistas. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), confirmou que a decisão já está tomada e que o veto será usado como gesto simbólico em defesa da democracia.
“O presidente vai fazer um ato para que a gente não deixe passar a lembrança daquele dia triste que foi afrontar a democracia”, afirmou Wagner.
O discurso de Lula deve enfatizar a defesa das instituições democráticas, relembrar as condenações dos envolvidos na tentativa de golpe, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, ex-ministros e militares, e reforçar críticas ao governo anterior. Para o Planalto, o ato busca preservar a memória dos ataques e reafirmar o compromisso do governo com o Estado Democrático de Direito.