Rafael Ribeiro/Banco Central

A Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, está estacionada em 15% desde junho de 2025 e deve permanecer assim nos primeiros meses de 2026, segundo projeções da maioria das instituições financeiras e agentes do mercado. O ciclo de cortes, antes esperado para janeiro, deve iniciar apenas na segunda reunião do Copom no ano, marcada para 17 e 18 de março.

A mudança de expectativa ocorreu após os diretores do Banco Central repetirem, na última reunião, sinal de juro alto por tempo “prolongado”. No comunicado, o Copom afirmou que “a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

A meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%. No entanto, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, já declarou buscar o centro e não o teto da meta. Nesse sentido, as expectativas de inflação ainda estão acima dos 3% no horizonte relevante. O BC projeta alta de 3,5% do IPCA em 2026, enquanto o mercado é menos otimista e vê a inflação subindo 4,10%.

O Comitê também enfatizou que “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”. Segundo o Itaú, o comunicado foi “mais duro do que esperado” e estabelece “uma barra alta para um corte em janeiro”. Analistas do mercado financeiro acompanharão o tom da próxima reunião em busca de sinais de flexibilização, mas a expectativa é de uma redução gradual ao longo do próximo ano.

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