
A São Silvestre chegou à sua 100ª edição nesta quarta-feira (31), em São Paulo (SP), com uma combinação de resultados esportivos marcantes e indicadores históricos fora do pódio. A prova centenária teve vitórias africanas nas disputas feminina e masculina, presença brasileira entre os primeiros colocados e recorde de participação feminina, em uma edição que reuniu 55 mil corredores e reforçou a transformação do perfil da principal corrida de rua do país.
Criada em 1925, a São Silvestre encerra tradicionalmente o calendário esportivo nacional e, ao longo de um século, consolidou-se como um dos eventos mais simbólicos do atletismo internacional. Em 2025, o caráter histórico foi ampliado pela diversidade do público, pelo equilíbrio técnico das disputas e pelo avanço da participação feminina.
Tanzaniana domina o feminino e brasileira mantém regularidade
Na prova feminina, a vitória ficou com a tanzaniana Sisilia Ginoka Panga, que completou os 15 km do percurso em 51min09s. A atleta assumiu a liderança ainda na primeira metade da corrida e seguiu isolada até a chegada. Logo após cruzar a linha final, Panga desmaiou e recebeu atendimento médico imediato, sem registro de agravamento de seu estado de saúde.
A brasileira Nubia de Oliveira Silva terminou na terceira colocação, repetindo o resultado alcançado em 2024 e mantendo uma sequência de pódios nacionais na prova feminina. O resultado também encerrou uma série de oito vitórias consecutivas de atletas do Quênia, que haviam dominado a disputa nos últimos anos.
Masculino decidido nos metros finais
Na elite masculina, a disputa foi definida apenas nos quilômetros finais. O etíope Muse Gizachew venceu a prova com o tempo de 44min34s, após ultrapassar um corredor do Quênia na reta decisiva. A vitória reforçou o equilíbrio recente entre as principais potências africanas da corrida de rua, tradicionalmente dominada por atletas do leste da África.
O brasileiro Fábio Jesus Correia completou o pódio na terceira colocação, garantindo presença nacional entre os primeiros colocados da edição centenária e confirmando o bom desempenho brasileiro em provas de rua de alto nível.
Recorde histórico de mulheres inscritas
Além dos resultados esportivos, a edição de 2025 entrou para a história pelo recorde de participação feminina. Segundo a organização, 47% dos inscritos eram mulheres, o maior percentual registrado desde a criação da prova. O número reflete um crescimento consistente da presença feminina na corrida ao longo dos últimos anos.
Organizadores e especialistas apontam que mudanças como maior visibilidade da prova feminina, ajustes nos horários de largada, fortalecimento das categorias amadoras e ampliação do acesso ao esporte contribuíram para o avanço. O dado também acompanha uma tendência observada em outras grandes corridas de rua no Brasil e no exterior.