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A China anunciou nesta quarta-feira (31) que passará a aplicar uma tarifa adicional de 55% sobre importações de carne bovina que ultrapassarem cotas anuais estabelecidas para cada país fornecedor, incluindo o Brasil. A medida entra em vigor em 1º de janeiro de 2026 e terá validade inicial de três anos.

Segundo o Ministério do Comércio da China, a decisão tem como objetivo proteger a pecuária doméstica chinesa, diante do crescimento das importações de carne bovina nos últimos anos e da pressão sobre produtores locais. A tarifa incidirá apenas sobre os volumes que excederem os limites anuais definidos para cada país.

Como funcionará

A tarifa adicional será aplicada às importações de carne bovina fresca e congelada, com ou sem osso, sempre que os embarques ultrapassarem a cota anual acordada. Para 2026, a cota definida para o Brasil é de 1,1 milhão de toneladas, volume inferior ao total exportado ao mercado chinês em 2025.

Além do Brasil, a medida também alcança outros grandes fornecedores do mercado chinês, como Argentina, Uruguai, Austrália, Estados Unidos e Nova Zelândia, caso os volumes importados superem os limites estabelecidos.

Impacto para o Brasil

O Brasil é atualmente o maior fornecedor de carne bovina para a China, mercado que concentra parcela relevante das exportações brasileiras do produto. Com a nova regra, parte dos embarques pode ficar sujeita à tarifa de 55%, o que tende a reduzir a competitividade da carne brasileira no mercado chinês caso os volumes ultrapassem a cota.

Representantes do setor avaliam que a medida pode levar frigoríficos e exportadores a rever estratégias comerciais, com eventual redirecionamento de cargas para outros mercados ou ajustes nos volumes enviados à China ao longo do ano.

Reação do setor

Entidades do agronegócio e especialistas em comércio exterior acompanham o anúncio com cautela. A avaliação predominante é de que a combinação entre cotas mais restritivas e tarifa elevada pode pressionar margens dos exportadores e gerar impactos indiretos no mercado interno, a depender da capacidade de absorção de outros destinos.

Parlamentares ligados ao setor defendem que o governo brasileiro atue no campo diplomático e comercial para buscar maior previsibilidade e eventuais ajustes na aplicação das salvaguardas chinesas.

Cenário global

A decisão da China ocorre em um contexto de reorganização do mercado global de proteínas, marcado por oscilações de oferta, mudanças no consumo e políticas de proteção à produção local em grandes economias importadoras. Analistas avaliam que a medida pode reduzir o ritmo das importações chinesas em 2026 e influenciar a dinâmica de preços no comércio internacional de carne bovina.

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