
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou neste sábado (3) que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi formalmente indiciado em Nova York por acusações relacionadas a tráfico internacional de drogas e crimes envolvendo armas.
Segundo Bondi, o processo tramita na Justiça federal norte-americana e reúne investigações conduzidas ao longo de anos por autoridades dos EUA, que apontam supostas conexões do governo venezuelano com organizações criminosas transnacionais. O indiciamento, agora reiterado publicamente, passa a integrar o conjunto de justificativas jurídicas apresentadas por Washington no contexto da crise com Caracas.
Governo dos EUA diz que julgamento de Maduro será nos EUA
Mais cedo, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou a um senador republicano que Maduro será julgado nos Estados Unidos e que, no momento, o governo norte-americano não prevê novas ações militares na Venezuela além das já anunciadas. Segundo Rubio, a estratégia declarada passa agora pelo campo judicial e político, em meio à pressão internacional contrária ao uso da força.
Vice-presidente reforça discurso de Trump
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, também se manifestou publicamente e vinculou a ofensiva e o indiciamento à política adotada pelo presidente Donald Trump. Em publicação, Vance afirmou que Trump “ofereceu várias alternativas”, mas deixou claro que “o tráfico de drogas precisa parar e o petróleo roubado precisa ser devolvido aos Estados Unidos”.
“Maduro é a pessoa mais recente a descobrir que o presidente Trump fala sério”, afirmou o vice-presidente, que também elogiou a atuação das forças de segurança norte-americanas, classificando a operação como “verdadeiramente impressionante”. A declaração reforça o tom duro adotado pelo governo dos EUA e indica que a ação é apresentada internamente como parte de uma estratégia de dissuasão.
Acusações antigas ganham centralidade política
As acusações contra Maduro não são novas. Desde 2020, autoridades norte-americanas associam o presidente venezuelano e integrantes do alto escalão do chavismo ao chamado “Cartel de los Soles”, acusado de facilitar o envio de cocaína para os Estados Unidos, além de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.
Com a confirmação pública do indiciamento em Nova York, essas acusações voltam ao centro do debate internacional e passam a sustentar, de forma explícita, a narrativa do governo Trump de que Maduro deve responder judicialmente fora da Venezuela.
Incertezas jurídicas e reação internacional
Especialistas em direito internacional observam que, apesar das declarações de autoridades norte-americanas, não há clareza sobre como se daria a submissão de Maduro à Justiça dos EUA, especialmente diante das controvérsias sobre sua situação política e da rejeição do governo venezuelano à jurisdição estrangeira.
O anúncio ocorre em meio a uma crise diplomática mais ampla, marcada por condenações de governos da América Latina, da Europa e de potências como Rússia e China à ofensiva militar dos EUA. A inclusão do indiciamento no discurso oficial adiciona uma nova camada jurídica ao conflito e mantém elevado o grau de tensão política internacional.