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The White House

Após a controversa operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou que uma ação semelhante contra a Colômbia “soa bem” para ele. As declarações, feitas a bordo do Air Force One na noite de domingo (4), intensificam as tensões diplomáticas entre Washington e Bogotá.

Trump dirigiu críticas contundentes ao presidente colombiano Gustavo Petro, o primeiro líder de esquerda eleito no país, referindo-se a ele como “um homem doente” que governa uma nação “muito doente”. O republicano acusou a Colômbia de produzir cocaína e vendê-la aos EUA, afirmando que isso não continuará por muito tempo. Quando questionado por jornalistas sobre a possibilidade de uma operação militar americana no país sul-americano, Trump foi direto em sua resposta afirmativa.

As ameaças não se limitaram à Colômbia. O presidente americano também criticou o México, afirmando que o país precisa se organizar, e comentou sobre Cuba, sugerindo que uma intervenção militar provavelmente não seria necessária porque o país caribenho estaria prestes a “ruir por conta própria”.

Em resposta, Petro repudiou as declarações de Trump nesta segunda-feira (5), classificando-as como “ameaça ilegítima”. O presidente colombiano afirmou que ainda analisaria as palavras em inglês de Trump para ter certeza do que foi dito antes de responder definitivamente. Em suas redes sociais, Petro desafiou o líder americano: “Pare de me caluniar, senhor Trump. Não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que surgiu da luta armada e, depois, da luta pela paz do povo da Colômbia”.

Petro também direcionou críticas ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, que teria sugerido cooperação direta entre os EUA e o exército colombiano, contornando o presidente. O líder colombiano argumentou que essa posição ignora a Constituição do país, que o define como comandante supremo das Forças Armadas e da polícia. Além disso, defendeu as ações de seu governo contra o tráfico de drogas e espionagem.

As declarações de Trump ocorrem no contexto da deposição de Maduro, capturado junto com sua esposa, Cilia Flores, em uma operação das forças norte-americanas em Caracas na madrugada de sábado. Com a saída de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina da Venezuela, reconhecida tanto pelo Tribunal Supremo de Justiça quanto pelas Forças Armadas venezuelanas.

Trump afirmou que os Estados Unidos estão “no comando” da Venezuela, embora o secretário de Estado Marco Rubio tenha adotado um tom mais cauteloso, dizendo que os EUA se limitarão a manter uma “quarentena do petróleo” sobre o país como instrumento de pressão para mudanças políticas.

A escalada retórica aumenta as preocupações sobre a estabilidade regional e o alcance das ambições militares do governo Trump na América Latina.

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