
Um apagão que já ultrapassa 50 horas segue afetando bairros como Copacabana e Leme, na zona sul do Rio de Janeiro, provocando prejuízos ao comércio, transtornos a moradores e impactos diretos em uma das áreas turísticas mais importantes do país. Estabelecimentos relatam perdas individuais que chegam a R$ 14 mil, o que leva o impacto total a cifras milionárias, considerando o volume de bares, restaurantes, hotéis e serviços afetados.
Copacabana e o Leme concentram parte relevante da infraestrutura turística do Rio, com fluxo intenso de visitantes nacionais e estrangeiros ao longo de todo o ano, especialmente durante a alta temporada de verão. A interrupção prolongada no fornecimento de energia compromete o funcionamento dessas atividades em um período considerado estratégico para o setor.
Comércio do Rio acumula perdas e operação segue limitada
Com mais de dois dias sem energia elétrica, comerciantes relatam prejuízos crescentes com a perda de alimentos perecíveis, paralisação de equipamentos e queda abrupta no faturamento. Freezers e geladeiras ficaram inoperantes, levando ao descarte de carnes, bebidas e insumos. Parte dos estabelecimentos segue fechada, enquanto outros operam de forma parcial, sem condições de atender plenamente moradores e turistas.
Empresários afirmam que os danos vão além do estoque perdido, incluindo cancelamentos, redução do fluxo de clientes e impacto sobre a confiança de consumidores em um bairro que depende do funcionamento contínuo do comércio.
Hotéis e turismo sob impacto direto
O apagão também afeta hotéis e meios de hospedagem, que enfrentam dificuldades para manter serviços básicos como elevadores, ar-condicionado e sistemas internos. Há registros de cancelamentos, pedidos de desconto e saídas antecipadas de hóspedes, ampliando os prejuízos do setor.
Representantes do turismo avaliam que falhas prolongadas em serviços essenciais comprometem a experiência do visitante e afetam a imagem de Copacabana como cartão-postal do Brasil.
Protestos e panelaços durante a noite
A demora no restabelecimento da energia levou moradores a realizarem panelaços em diferentes pontos do bairro, sobretudo durante a noite. Os protestos foram registrados em ruas residenciais e áreas comerciais e expressam insatisfação com a duração do apagão e a falta de informações claras sobre a normalização do serviço.
Moradores relatam ainda problemas adicionais, como falta de água, dificuldades de comunicação, sistemas de segurança comprometidos e ruas com iluminação precária.
Procon notifica Light e cobra explicações
Diante da gravidade do apagão, o Procon-RJ notificou a Light para prestar esclarecimentos sobre as causas da interrupção prolongada no fornecimento de energia e as medidas adotadas para a solução do problema. O órgão avalia a aplicação de multa à concessionária por falhas na prestação do serviço.
Em nota, a Light informou que equipes seguem atuando na região para restabelecer o fornecimento e que a ocorrência está relacionada a falhas na rede elétrica. A concessionária, no entanto, não apresentou prazo definitivo para a normalização completa do serviço.
Prejuízo segue em curso
Enquanto a energia não é plenamente restabelecida, comerciantes e moradores continuam contabilizando prejuízos. Para o setor empresarial local, os danos tendem a crescer a cada hora sem luz, especialmente em um período de alta circulação de turistas.
Além das perdas financeiras imediatas, há preocupação com os efeitos de médio prazo sobre o turismo, a confiança de visitantes e a percepção de infraestrutura em uma das regiões mais simbólicas e economicamente relevantes do Rio de Janeiro.