
Petições online que pedem a deportação da rapper Nicki Minaj ultrapassaram a marca de 120 mil assinaturas e continuam crescendo nas redes sociais. As campanhas se intensificaram após uma série de declarações públicas da artista alinhadas ao conservadorismo americano e elogios ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendendo o debate sobre cancelamento, imigração e o papel político de celebridades.
Embora não tenham qualquer efeito legal imediato, os abaixo-assinados passaram a funcionar como instrumento simbólico de pressão pública e rejeição às posições adotadas por Minaj, ampliando a repercussão do caso para além do campo cultural.
Linha do tempo das petições
A petição mais antiga foi criada em 9 de julho de 2025 e reúne mais de 83 mil assinaturas. Inicialmente, o texto mencionava conflitos públicos da artista com Shawn “Jay-Z” Carter, após ataques recorrentes feitos por Minaj em suas redes sociais naquele período.
O movimento ganhou novo fôlego no fim de dezembro. Entre 21 e 28 de dezembro de 2025, ao menos três novas petições foram criadas, elevando rapidamente o número total de assinaturas. Esse crescimento coincidiu com a participação da rapper em um evento conservador de grande visibilidade nos Estados Unidos.
Aparição em evento conservador e declarações públicas
Em 21 de dezembro de 2025, Nicki Minaj participou do AmericaFest, conferência anual organizada pela Turning Point USA, em Phoenix, no Arizona. No palco, foi entrevistada pela ativista conservadora Erika Kirk e afirmou ter abraçado o movimento conservador.
Durante a conversa, Minaj elogiou o governo Trump, criticou lideranças progressistas — incluindo o governador da Califórnia — e fez declarações sobre gênero e costumes que foram interpretadas por críticos como alinhadas a discursos conservadores. Entre as falas mais repercutidas esteve a afirmação de que “meninos devem ser meninos”, o que gerou reação negativa de parte de sua base de fãs, especialmente entre públicos LGBTQ+.
A presença no evento foi vista por críticos como um alinhamento explícito com uma organização associada historicamente a posições contrárias a pautas identitárias.
Origem da artista e uso da imigração como punição simbólica
Nicki Minaj nasceu em Saint James, Trinidad e Tobago, e mudou-se ainda criança para os Estados Unidos, onde construiu sua carreira musical. Esse dado biográfico passou a ocupar o centro das petições, que utilizam a condição de imigrante da artista como base simbólica para os pedidos de deportação.
Uma das petições mais recentes foi criada em 27 de dezembro de 2025 por um jovem de 16 anos de Chicago. No texto, o autor afirma que Minaj teria “traído” parte de seus fãs e defende a deportação como forma de responsabilização pública por suas falas e pelo impacto que elas teriam sobre comunidades diversas.
Status migratório e contradições públicas
O status atual de cidadania de Nicki Minaj não é claro. Em 2018, a artista publicou mensagens criticando políticas migratórias do primeiro governo Trump e defendendo a não separação de crianças migrantes de seus pais, relatando que chegou aos Estados Unidos ainda criança.
Já em 2024, durante uma transmissão ao vivo no TikTok, Minaj afirmou não ser cidadã norte-americana, apesar de viver no país há décadas e pagar impostos. As declarações contraditórias passaram a ser citadas tanto por críticos quanto por defensores no debate em torno das petições.
Especialistas em imigração ressaltam que pedidos de deportação baseados em opiniões políticas ou manifestações públicas não encontram respaldo na legislação dos Estados Unidos.
Cancelamento, reação do público e debate em curso
O episódio aprofundou a polarização em torno da artista. Parte do público interpreta as petições como expressão da lógica do cancelamento, em que discordâncias políticas são transformadas em tentativas de punição simbólica. Outros defendem que figuras públicas com grande alcance devem ser responsabilizadas por discursos considerados prejudiciais.
Nas redes sociais, o caso passou a ser citado como exemplo das contradições do debate contemporâneo sobre imigração, liberdade de expressão e cultura do cancelamento. Vídeos, comentários e reações ampliaram a visibilidade do tema, mantendo o assunto em circulação mesmo sem qualquer consequência institucional concreta.
Com as petições ainda ativas e em crescimento, o caso de Nicki Minaj segue como um dos episódios mais recentes em que disputas culturais, políticas e identitárias se cruzam no ambiente digital, evidenciando os limites e os efeitos reais do cancelamento na esfera pública.