Nunes
José Cícero / Agência Pública

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou na segunda-feira (5) que espera que venezuelanos não venham para a capital paulista, ao comentar possíveis efeitos da crise política na Venezuela sobre fluxos migratórios. A declaração foi feita durante um evento oficial e passou a ser classificada como xenofóbica por parlamentares e organizações da sociedade civil, ao associar a presença de imigrantes a um problema a ser evitado.

“Espero que não venham”, disse o prefeito ao relacionar a migração venezuelana ao cenário internacional envolvendo o governo de Nicolás Maduro. Na sequência, Nunes afirmou que, caso venezuelanos cheguem à cidade, São Paulo “recebe”, mencionando a existência de vagas na rede municipal de acolhimento.

Associação entre crise externa e imigração

A fala ocorreu no contexto de questionamentos sobre uma possível intensificação da migração venezuelana para o Brasil. Ao tratar o deslocamento de pessoas como consequência direta de decisões políticas externas, Nunes afirmou que, na sua avaliação, não haveria necessidade de novos fluxos migratórios neste momento.

Levantamentos divulgados pela própria gestão municipal indicam que cerca de mil venezuelanos estão atualmente acolhidos em equipamentos públicos da cidade. São Paulo integra políticas nacionais de recepção de imigrantes e refugiados e historicamente concentra parte relevante dessa população no país.

Repercussão política

A declaração provocou críticas de parlamentares, organizações da sociedade civil e especialistas em direitos humanos, que apontaram o risco de naturalizar a rejeição prévia a migrantes, prática associada à xenofobia e incompatível com a legislação brasileira e tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Até o momento, a Prefeitura de São Paulo não anunciou mudanças formais na política municipal de acolhimento. A fala de Nunes, no entanto, ampliou a pressão política sobre a gestão ao trazer o tema migratório para o centro do debate institucional em um momento de forte polarização nacional.

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