Walter Campanato/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta a Brasília com a necessidade imediata de reorganizar o primeiro escalão do governo. Dois ministros manifestaram, de forma reservada, o desejo de deixar seus cargos ainda no início do ano, o que deve acelerar uma minirreforma ministerial.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, indicou a Lula que pretende deixar o cargo até o fim desta semana, preferencialmente na sexta-feira (9). A sinalização foi feita ainda na virada do ano e já é de conhecimento dos principais secretários da pasta. Nos bastidores, aliados relatam cansaço do ministro diante da dificuldade de conduzir agendas sensíveis sem respaldo político consistente do Palácio do Planalto.

Há divergências internas sobre o momento da saída. Técnicos do ministério defendem que Lewandowski permaneça ao menos até a aprovação da PEC da Segurança Pública, que ainda precisa passar pelo plenário da Câmara e pelo Senado. O próprio ministro, porém, gostaria de encerrar sua passagem após os atos do governo relacionados ao 8 de Janeiro.

O ambiente político também pesa. Secretários relatam frustração com o Congresso, onde projetos da pasta teriam sido desfigurados, e críticas à articulação conduzida pela Casa Civil, sob comando de Rui Costa. Dentro do PT, cresce a defesa de que Lula aproveite a saída para dividir a atual pasta em dois ministérios — Justiça e Segurança Pública — como resposta à principal preocupação do eleitorado, segundo pesquisas recentes.

Na área econômica, Fernando Haddad também comunicou ao presidente o desejo de deixar o Ministério da Fazenda, mas se dispôs a permanecer até o fim de fevereiro. A expectativa é que o secretário-executivo, Dario Durigan, assuma interinamente o comando da pasta.

Haddad avalia atuar na coordenação da campanha de reeleição de Lula. O PT, no entanto, discute outros caminhos, como uma candidatura ao governo de São Paulo ou ao Senado. Mesmo antes de sua eventual saída, a Fazenda já passa por mudanças. Marcos Barbosa Pinto deixou a Secretaria de Reformas Econômicas, sinalizando o esgotamento da agenda reformista do governo.

As movimentações indicam que Lula inicia o ano diante de decisões políticas delicadas, com impacto direto na governabilidade e no projeto eleitoral de 2026.

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