IVL
Arquivo Pessoal/Reprodução

O presidente do IVL (Instituto Voto Legal), Carlos Rocha, condenado por participação no plano de tentativa de golpe de Estado, está há 10 dias foragido da Justiça, após a decretação de prisão domiciliar pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão foi tomada em 27 de dezembro, quando o ministro determinou a prisão domiciliar de dez condenados pela trama golpista, após a tentativa de fuga de Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Silvinei Vasques foi preso em 26 de dezembro, em Assunção, no Paraguai, na madrugada de uma sexta-feira, no momento em que tentou embarcar em um voo com escala no Panamá e destino final a El Salvador. Ele foi entregue às autoridades brasileiras e atualmente cumpre prisão preventiva no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Após o episódio, ao decretar as prisões domiciliares, o ministro Alexandre de Moraes justificou a medida pelo risco concreto de fuga dos condenados.

Medidas cautelares impostas pelo STF

Nas decisões que determinaram as prisões domiciliares, o ministro impôs monitoramento eletrônico e uma série de medidas cautelares, como a retenção de passaportes, a proibição de deixar o país, a suspensão de registros de armas e o veto ao uso de redes sociais.

Os condenados também estão proibidos de manter contato entre si, e as visitas ficaram restritas a advogados e pessoas previamente autorizadas pelo STF.

Dos dez mandados de prisão domiciliar, apenas o de Carlos Rocha não foi cumprido, porque a Polícia Federal não conseguiu localizá-lo. Desde então, ele é considerado foragido da Justiça.

Condenação no STF

Carlos Rocha foi condenado pela Primeira Turma do STF, em outubro de 2025. Ele foi o único integrante do chamado “Núcleo da Desinformação” a receber pena menor em relação aos demais réus, em razão da idade, acima de 70 anos, e da absolvição em parte das acusações.

A pena fixada foi de 7 anos e seis meses de prisão, pelos crimes de organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Atuação do IVL e vínculos com o governo Bolsonaro

Antes da condenação, Carlos Rocha ganhou projeção nacional ao ser indicado para atuar em auditorias do sistema eleitoral brasileiro por iniciativa de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O Instituto Voto Legal, que ele preside, foi apresentado publicamente como entidade técnica independente, mas reportagens anteriores apontaram que Rocha teve viagens custeadas pelo governo federal durante a gestão Bolsonaro, antes mesmo da formalização de trabalhos relacionados à auditoria das urnas eletrônicas.

Essas informações foram utilizadas por investigadores para contextualizar a atuação do IVL no ecossistema de contestação ao resultado das eleições de 2022 e na disseminação de dúvidas sobre o processo eleitoral.

Manifestação após a decretação da prisão

Mesmo após a decretação da prisão domiciliar, Carlos Rocha utilizou as redes sociais para contestar a acusação que resultou em sua condenação. Em resposta a uma publicação que o classificava como foragido, afirmou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) teria adotado posições contraditórias ao tratar diferentes núcleos da investigação, mencionando divergências entre acusações relacionadas aos núcleos 1 e 4 da trama golpista.

Até o momento, Carlos Rocha não se apresentou à Justiça nem foi localizado pela Polícia Federal. A condição de foragido permanece enquanto o mandado de prisão domiciliar não for cumprido.

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