O Banco Master tem recrutado influenciadores digitais para uma ofensiva nas redes sociais contra o Banco Central e autoridades envolvidas na liquidação da instituição, segundo apurações da Folha de São Paulo e do jornal O Globo. A prática ganhou força durante a guerra jurídica no STF e no TCU entre investigadores e advogados do banco.

Chama atenção o fato de que grande parte dos perfis contratados são páginas de fofoca, sem qualquer relação com temas econômicos. Os influenciadores publicam conteúdos enviesados criticando a atuação do BC e defendendo o Master, com foco em atacar o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, que recomendou o veto à compra do banco pelo BRB.

A campanha também mira o presidente do BC, Gabriel Galípolo, seus familiares, o diretor de Fiscalização Aílton de Aquino Santos, além de banqueiros e entidades do setor financeiro. O presidente da Febraban, Isaac Sidney, identificou volume atípico de postagens em dezembro e analisa se o caso caracteriza ataque coordenado.

Perfis como @divasdohumor, @Festadafirma, Futrikei e Alfinetada publicaram conteúdos semelhantes criticando as autoridades. Empresas como Banca Digital, Grupo Farol e Deubuzz, que administram diversos perfis nas redes, estariam envolvidas na estratégia. A Banca Digital negou ter sido remunerada, afirmando que a postagem foi “orgânica”.

Segundo O Globo, influenciadores foram procurados para participar de um projeto chamado “DV”, iniciais de Daniel Vorcaro, dono do Master, com remuneração milionária. O vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS), relatou ter recebido proposta em dezembro para “gerenciamento de crise” de um “executivo grande”, com promessa de pagamento alto.

Procurados pela reportagem da Folha, o Banco Master e Vorcaro não se manifestaram. Renato Gomes também não quis comentar.

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